Analistas dizem que podemos estar falando sobre sustentabilidade e open source da forma errada
Os desenvolvedores que trabalham com código aberto tendem a ser bem pagos. Um relatório da Linux Foundation constatou que mais de 75% dos principais mantenedores dos 200 projetos de código aberto mais ativos são remunerados para atuar em período parcial ou integral.
Em um mundo cada vez mais dependente de software open source, com 80% a 90% dos aplicativos criados a partir de código aberto, é fundamental que as iniciativas sejam mantidas adequadamente. Em 2014, a Linux Foundation criou a Core Infrastructure Initiative, visando auxiliar no financiamento e apoio de projetos de código aberto considerados críticos para a infraestrutura de informações global. O esforço, no entanto, abrange principalmente desenvolvedores / projetos subfinanciados, não sendo destinado a financiar projetos em massa.
Para entender a saúde de projetos de código aberto interdependentes, a Linux Foundation pesquisou dados do GitHub para determinar quem está contribuindo com os 200 principais projetos. Os resultados mostram que há grande correlação entre conseguir emprego e ser o principal colaborador de um dos pacotes de software livre e de código aberto.
Ao contrário da imagem popular do “programador sobrecarregado e mal remunerado”, a análise descobriu que alguns dos desenvolvedores mais ativos do FOSS (free and open source) contribuíram para projetos da Microsoft, Google, IBM ou Intel. Mesmo que os colaboradores dos projetos não recebam remuneração direta para desenvolver esses pacotes, seu status como membro da comunidade FOSS pode endossar as suas qualificações para o atual cargo remunerado.
A descoberta de que os desenvolvedores de código aberto tendem a ser bem recompensados não é exclusiva da pesquisa da Linux Foundation. De fato, diversos estudos independentes chegaram à mesma conclusão.
Embora seja justo concluir que os desenvolvedores de código aberto, em geral, estão sendo remunerados pelos seus esforços, a Linux Foundation está desenvolvendo um estudo mais abrangente, com milhares de desenvolvedores, para obter mais detalhes. Especificamente, o levantamento explorará o nível de engajamento do colaborador, o histórico de trabalho e as políticas do empregador no desenvolvimento de software livre no ambiente de trabalho.
Enquanto o estudo não é concluído, analistas argumentam que também é importante observar que é possível que os desenvolvedores tenham um emprego fixo muito bem remunerado, mas que se esforcem nas iniciativas open source durante as noites ou fins de semana, o que é o suficiente para causar esgotamento nesses profissionais.
Então, será que o código aberto é “sustentável”? De uma perspectiva financeira, muitos consideram que sim. Por outro lado, o dinheiro não é o único fator importante. Muito ainda precisa ser feito para tornar o desenvolvimento de código aberto financeiramente e emocionalmente sustentável.