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Executivos são analfabetos sobre o futuro e precisarão ser híbridos

Em entrevista, Jaqueline Weigel, futurista global e CEO da W Futurismo, explica que executivos "não são alfabetizados para o futuro".

Publicado:
26/08/2019 às 10:53
Leitura
4 minutos
Imagem: Adobe Stock

Pensar no futuro não é uma das tarefas mais fáceis do mundo. Mas, ao mesmo tempo, também não é uma das mais complicadas. Lá no IT Forum+, por exemplo, tratamos da Sociedade 5.0 e os modos de convivência social neste contexto.

Mas a grande sacada de lidar com o futuro está exatamente na maneira como estaremos preparados. Para Jaqueline Weigel, futurista global, pós-humanista e CEO da W Futurismo, “o mundo que a gente conhece já acabou”. Mas não precisamos ou devemos ter medo, entretanto.

Em resumo, o futurismo utiliza diferentes abordagens para entender o futuro propriamente dito. A ideia é de se considerar e entender a influência de decisões do presente, suas possibilidades e afins.

Em suma, mesmo que o futurismo não esteja ligado a “previsões” de futuro, em si, ele tem influência nas direções considerando os mais diferentes aspectos.

O tema, inclusive, também será debatido durante o IT Forum X, entre os dias 16 e 17 de outubro, no Transamérica Expo Center, em São Paulo.

Devemos ter medo do futuro?

Na visão de Weigel, nós não temos medo do futuro e nem devemos ter. Na verdade, “a gente normalmente tem medo daquilo que desconhece e nos ameaça.”

Falar amplamente sobre o assunto também requer cuidados. “Da forma que a gente vem falando de futuro no Brasil, que pra mim não é tão madura, nós estamos assustando as pessoas,” diz ela.

O papel do futurista, então, é “olhar para os sinais, traduzi-los e convidar as pessoas para esse possível futuro”. A ideia é ajudar a construir um futuro, e não assustar as pessoas… ou colocá-lo num tom de ameaça.

Explicando o motivo pelo qual “o mundo que conhecemos já acabou“, Weigel aborda que “pessoas e tecnologia deverão viver em paz no mercado de trabalho”. Logo, as pessoas não devem ter medo do futuro, mas sim “participar dessa concessão” que tem viés pós-humanista.

“O mercado está tão cheio e eu não quero que as coisas fiquem perdidas em mais do mesmo.”

Os profissionais do futuro

Ainda sobre o “futurismo”, Weigel nos lembra que “o nome correto é foresight, não futurismo, apenas”. Ela também acredita que seja necessária a criação de um comitê ético para o futuro do mundo. Isto faria parte da adoção, entre outros, de nova tecnologias que estão ganhando espaço no mercado, segurança pública e afins.

Já no Brasil, entretanto, “o pensamento é muito imediatista” e ela destaca quatro categorias e/ou realidades de mudanças:

  • O que não vai mudar ou desaparecer;
  • O que está respondendo o mercado com inovação “enlatada”;
  • O que se antecipa um pouquinho mas fica muito preso;
  • Os que fazem inovação a longo prazo.

Estes perfis, claro, consideram tanto os profissionais quanto as companhias. Para tal, Weigel é direta ao afirmar que “os executivos são analfabetos, não sabem lidar ou não são alfabetizados para o futuro”.

A analogia é feita exatamente quando perguntada sobre a implementação de novas tecnologias em meio a transformação digital. “A digitalização do mundo é uma das primeiras grandes mudanças, e quem não o fizer vai ficar para trás”, afirma.

Na sua visão, “digitalizar um negócio é praticamente abrir um novo negócio dentro do existente.” Isso não tem nada a ver como apenas adotar novas tecnologias ou ter um núcleo de inovação, “mas sim com transformar toda a estrutura do negócio”.

A futurista defende que as empresas criem estratégias de futuro para pequeno, médio e longo prazo. “Elas [as empresas] precisam criar núcleos de futuro, não de inovação”, acrescenta.

Para o futuro, então, precisamos “assumir responsabilidades diferentes.” Na visão de Weigel, “os CEOs precisam ser híbridos, mantendo o que existe.” Afinal de contas, eles precisarão construir estratégias robustas “porque não sabem o que vem pela frente.”

Nesta linha de raciocínio, nos lembra também que “o trabalhador do futuro é livre” e que “ele não fica 8h dentro do escritório.” A ideia se faz válida quando mensuramos, por exemplo, o trabalho executado, os modelos de home office e afins.

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