Assinado pelo presidente dos EUA Donald Trump na última sexta-feira, um decreto que proíbe a entrada de refugiados da Síria e a de cidadãos de sete países com maioria muçulmana tem causado polêmica. A decisão que afeta Irã, Iraque, Síria, Sudão, Líbia, Iêmen e Somália chegou também ao mundo da tecnologia.
Em defesa das contribuições de imigrantes para empresas, importantes players do mercado de tecnologia, como Google, Facebook e Microsoft, se posicionaram contra o decreto de Trump.
O Google afirmou estar preocupado com o impacto desta ordem e quaisquer propostas que possam impor restrições aos seus funcionários e suas famílias, ou que criem barreiras para “trazer grandes talentos aos EUA”. “Continuaremos fazendo com que nossos pontos de vista sobre esses assuntos sejam conhecidos dos líderes em Washington e em outros lugares”, disse a companhia por meio de nota. O co-fundador do Google, Sergey Brin, inclusive participou de protestos em San Francisco.
Mark Zuckerberg, CEO e fundador do Facebook, usou sua página na rede social para afirmar que está preocupado com o impacto das recentes ordens assinadas por Trump. O Facebook acrescentou em um comunicado que está avaliando o impacto em sua força de trabalho e determinando a melhor forma de proteger seus colaboradores e suas famílias contra quaisquer efeitos adversos.
A Microsoft afirmou estar prestando assistência jurídica aos seus colaboradores afetados por esta situação. “Partilhamos as preocupações sobre o impacto da ordem executiva sobre os nossos funcionários dos países listados, todos eles legalmente nos Estados Unidos, e estamos trabalhando ativamente com eles para fornecer assessoria e assistência jurídica”, afirma a empresa. Satya Nadella, CEO da companhia, defendeu a imigração em um post no LinkedIn. “Como imigrante e como CEO, eu já experimentei e vi o impacto positivo que a imigração tem em nossa empresa, para o país e para o mundo. Continuaremos a defender este importante tópico “, disse.
O CEO do LinkedIn, Jeff Weiner, observou que muitas empresas da Fortune 500 são fundadas por imigrantes ou seus filhos e escreveu: “Todas as etnias devem ter acesso à oportunidade – princípio fundador dos EUA”.
Ao portal TechCrunch, o CEO da Apple, Tim Cook, disse que a empresa conversou com os funcionários afetados pela ordem. “Nas minhas conversas com funcionários aqui em Washington esta semana, deixei claro que a Apple acredita profundamente na importância da imigração – tanto para a nossa empresa quanto para o futuro da nossa nação”, escreveu Cook, que afirmou também que a Apple não existiria sem a imigração, muito menos prosperaria e inovaria da maneira que faz.
O CEO da Uber, Travis Kalanick, enviou um e-mail para sua equipe na tarde do último sábado (28/01), observando que a ordem afetou cerca de “uma dúzia de funcionários”. Ele também acrescentou que a empresa identificará e compensará os motoristas que podem ser impedidos de entrar nos EUA, para ajudar a mitigar algumas das tensões financeiras e complicações com o apoio às suas famílias e colocar comida na mesa.
Shantanu Narayen, CEO da Adobe, em uma mensagem a todos os funcionários da companhia, disse que, como imigrante, cidadão dos EUA e CEO, está profundamente preocupado com o impacto da recente ordem executiva que restringe a entrada nos Estados Unidos para os nacionais de sete países.
Já o CEO da Salesforce, Marc Benioff, postou em seu Twitter a mensagem a seguir, com a hashtag “noban”, ou seja, não ao banimente. “Quando fechamos nossos corações e deixamos de amar as outras pessoas como a nós mesmos, esquecemos quem realmente somos – uma luz para as nações”.
A Red Hat afirmou que é forte por causa das milhares de vozes diversas que compõem a empresa. “Nosso trabalho contínuo para avançar a indústria de tecnologia depende muito de nossa capacidade de atrair os melhores e mais brilhantes talentos de todo o mundo”, afirmou, em nota.