Alguns mitos estão sendo fragorosamente demolidos neste início de século. Um deles refere-se ao papel da tecnologia. Para muitos, ela é preponderante para o sucesso dos negócios, pode fazer tudo e o fator humano, nesta visão hoje fortemente questionada, ficaria em segundo plano.
Esta visão acabou custando caro, não apenas financeiramente. Tome-se o exemplo dos sistemas de gestão empresarial. Em pleno auge destes programas alguns exageros foram cometidos, muitas promessas ficaram no papel e milhões foram torrados na modernização de empresas sem a mesma preocupação com as pessoas que iriam tocar os negócios.
Os resultados foram pífios. Para empresas a prova de futuro, a rigor, nunca existiu esta dicotomia entre tecnologia e gente. A primeira sempre foi vista apenas como ferramenta e, claro, não resolve tudo.
Outro mito que cai é a preponderância do lado técnico na escolha de profissionais. Diante de sucessivos malogros, também aqui constata-se que o lado humano fala mais alto na consecução de resultados. Aqueles que têm a missão de identificar novos talentos e ajudar na formação de bases gerenciais para garantir o crescimento das organizações estão revendo seus conceitos e processos.
Hoje não importa tanto que os candidatos a postos de proa venham carregados de títulos, doutorados, MBA. A preocupação é como eles irão interagir com os demais profissionais, se têm habilidades para liderar projetos, equilíbrio emocional para ocupar cargos de chefia. Ser eficiente não significa trabalhar 12 horas, se estressar para cumprir metas, deixar a família e a vida social em segundo plano.
Empresas saudáveis procuram profissionais saudáveis, em equilíbrio com o mundo. A verdade é dura: muitos são contratados pelo potencial técnico e demitidos pelo lado humano, por falharem como gente!
O endeusamento do técnico cede lugar ao fator humano nas organizações. Esta é uma tendência que ganha fôlego nas modernas administrações. O que importa em qualquer situação é gente. São os profissionais envolvidos que fazem ou não a diferença entre o sucesso e o fracasso, a prosperidade ou a quebra de uma empresa. O que realmente conta é o conhecimento, a qualidade e competência dos recursos humanos no desenvolvimento dos produtos, na oferta de soluções, mercadorias e serviços.
O executivo está sendo cobrado a ter habilidades como construir relacionamentos e influenciar resultados positivos. De igual importância é ter o senso ajustado para identificar oportunidades, aceitar o novo, ter a percepção das rápidas mudanças nas tendências de mercado, o conhecimento das normas culturais da região, particularmente no que diz respeito à atuação de empresas estrangeiras no País.
Além disso, ele deve ter uma rede comprovada de contatos capazes de agregar valor, ser orientado a realizações; ter pensamento analítico; flexibilidade; capacidade de impactar e influenciar outras pessoas; iniciativa pessoal; capacidade de relacionamento; habilidades de negociação; liderança de equipe; ser pró-ativo. Os executivos que pretendem manter ou ampliar seus espaços no comando precisam estar atentos a esta nova realidade, para gerar os resultados que se esperam deles.
* Winston Pegler é presidente da Ray & Berndtson