Ponto de encontro da elite profissional, o MBA não se resume em conhecimento, informação e atualização. O grande aprendizado está implícito na troca de experiências entre os alunos e na sinergia da ascensão profissional.
Ávidos pelo conhecimento, eles estão dispostos não só a aprender e assimilar, mas também a transformar hábitos, trocar experiências e até mesmo ensinar. Tarefa, no mínimo, difícil para maioria. Para estes profissionais, porém, é uma meta que segue o aforismo do filósofo alemão, Friedrich Nietzche: quem alcança seu ideal, vai além dele.
Eles retratam as turmas de MBA (Master Business Administration) das universidades brasileiras. É um grupo de líderes, sintetiza Edson Luiz Riccio, coordenador do MBA de TI da USP (Universidade São Paulo). E explica: existe um processo de seleção que envolve uma entrevista bastante criteriosa para identificar e compor uma classe homogênea, que tem o objetivo comum de gerenciar a área de TI.
Uma das coisas mais fantásticas é a turma. Um grupo bastante seleto que cria uma sinergia maravilhosa, ressalta Guilherme de Azevedo Sodré, que conclui este ano o MBA de TI da USP. Ele iniciou o curso como CIO (Chief Information Officer) e hoje é o CEO (Chief Executive Officer) da Infinity Tech.
O salto profissional não é privilégio dos profissionais que passam pelo crivo da USP. O jornalista Octavio Tostes, que está finalizando o MBA de e-business da Fundação Getúlio Vargas (FGV), era gerente de conteúdo da Globo.com, passou para editor-chefe de TV do Jornal Gazeta e, este mês, assume a função de produtor sênior do portal América On Line (AOL).
Em busca de atualização, Tostes superou seu objetivo e ganhou muito com a diversidade da sala: tinha uma experiência em mídia e a nítida sensação que estava atrasado em relação ao mundo Web. O curso não só supriu minhas expectativas como trouxe uma rede de contatos muito rica.
Aliás, a riqueza dos encontros não é apenas uma expressão semântica. Sodré revela que o contato com uma das professoras do MBA/USP lhe rendeu um dos maiores contratos dentro da empresa, além da contratação de um dos alunos da turma para ser o diretor de novos negócios.
Para o argentino Herman Ambruster, gerente de operações da Trend Micro, que iniciou o MBA de marketing do IBMEC, o curso se tornou uma extensão de sua rede de contatos. A técnica de apresentação parece uma disciplina estranha, mas é extremamente importante para compor um bom executivo. Isso me ajudou bastante, destaca.
Satisfação
Jefferson Amoualem Plentz, formado há um ano no MBA de Ciência e Tecnologia da PUC (Pontifícia Universidade Católica), buscava uma transição da área de TI para administrativa. É um processo complicado, mas a sinergia da visão de negócios entre os alunos e professores impõe essa evolução de forma natural, revela, agora no comando comercial da Promon Intelligence.
Formado em administração, Luis Eduardo Mota Lima reciclou o conceito de finanças, gestão e recursos humanos com o MBA da USP, adquirindo uma visão de liderança global. Aprendi muito com módulo internacional, onde fui obrigado a desenvolver um plano de negócios com a visão de longo prazo, conta.
De auditora sênior para supervisora de auditoria do Bank Boston, Andrea Louise Ribeiro Dip finalizou o MBA/USP mais autônoma, segura e, principalmente, empreendedora e líder. Você passa a refletir de forma analítica. Num processo de seleção, por exemplo, você passa a identificar as características dos entrevistados para compor uma equipe mista. Não se trata apenas de instinto, mas de instinto associado à técnica, ressalta.
Arlindo Felipe Júnior, que de gerente de contas passou para gerente comercial da People Solutions, optou pelo MBA de administração da FGV para se tornar menos técnico. Eu vivencio tecnologia dentro da minha empresa e já tenho essa informação. Por isso, optei pela especialização em administração, explica.
O perfil agressivo com foco em vendas e faturamento, adquirido com a experiência na área comercial, se tornou mais flexível e abrangente. Hoje, diante de um contrato que está prestes a fechar, analiso se aquele negócio realmente trará rentabilidade a longo prazo para a empresa antes de assinar. Não existe mais a política de venda a qualquer custo, relata.
| Faculdade | Curso | Destaque |
| USP | MBA/TI | crivo para executivos de TI |
| FGV | MBA/e-business | diversidade |
| PUC | MBA/ciência e tecnologia | carga de palestras |
|Computerworld – Edição 350 – 19/09/2001|