Prioridade da nova empresa serà o anúncio da estrutura de atendimento aos clientes. Integração de produtos, marketing e suporte são os primeiros itens da agenda de anúncios da nova HP, previstos para essa terça-feira, 7. Nove meses depois do anúncio da fusão, a Compaq deixa de existir como empresa independente na Bolsa de Valores de Nova York.
Quando no dia 4 de setembro de 2001, a Hewlett Packard anunciou a intenção de comprar a arqui-rival Compaq por US$ 25 bilhões, o mercado reagiu com grande surpresa. A fusão iria gerar uma gigante com um faturamento estimado em US$ 87 bilhões. Só que a reação ao negócio também surpreendeu.
Durante nove meses, o processo de aprovação da fusão enfrentou batalhas e até, atos constrangedores,entre eles, o grampo telefônico da CEO e Chairman da HP, Carly Fiorina. Walter Hewlett, o maior adversário da fusão, tentou ao máximo impedir a concretização do negócio, mas terminou derrotado no Conselho Administrativo e nos tribunais dos EUA.
Ultrapassada essa etapa, a fusão HP/Compaq, agora, passa por um novo teste de fogo: o anúncio da estratégia de atuação conjunta.
Já a partir dessa segunda-feira, 6, a Compaq deixará de ser uma empresa independente na Bolsa de Valores de Nova York. A Hewlett Packard mudará seu símbolo no mercado financeiro deixando de ser HWP para HPQ.
Para esta terça-feira, 7, está previsto o primeiro grande anúncio da nova HP. Toda a área de atendimento ao cliente – como produtos, marketing e suporte – terá prioridade na nova estratégia. tanto é assim que a integração de linhas de produtos e as novas marcas são os primeiros itens da pauta de anúncios.
HP e Compaq já dedicaram aproximadamente 1 milhão/horas no trabalho de integração das companhias. A intenção, observa Paul McGuckin, analista do Gartner Group, é apresentar ao mercado o melhor plano de integração de companhias da história da tecnologia da informação.
Mas, McGuckin alerta que os consumidores da HP podem vir a ter surpresas não muito agradáveis, entre elas, a descontinuidade de uma série de famílias de produtos, já que a HP encara a fusão como uma "oportunidade" para fazer uma "arrumação de casa" definitiva. Essa "faxina" atingiria, particularmente, a linha Compaq´s OpenVMS/Tru64 e a área de infra-estrutura de software da HP.
O analista acredita que os usuários dessas plataformas podem enfrentar dificuldades de relacionamento com a nova HP. No entanto, McGukin adianta que deverá acontecer uma redução de preços nas linhas de produtos high ende de armazenamento(storage) e servidores.
"O único claro vencedor da fusão é a IBM", dispara o analista Jonhathan Eunice, da Illuminata. Segundo ele, a big blue poderá ganhar mercado com a instabilidade que virá nos negócios da nova HPQ.
Para a analista, o anúncio da fusão, que terminou por coincidir com a depressão norte-americana — em 11 de setembro, aconteceu os atentados ao World Trade Center — fez com que a HP e a Compaq perdessem espaço junto aos usuários. Nesse tempo, a IBM consolidou negócios junto a novos usuários, observa Eunice. Segundo ela, quanto mais rápido a nova HPQ anunciar seus produtos, melhor será.
Outra definição importante para a nova HP/Compaq será o anúncio da redução de empregados. Em setembro passado, foi anunciado que 15 mil funcionários das duas empresas perderiam seus empregos em função da superposição de cargos. Com a turbulência da aprovação, o tema foi relegado a um segundo plano, mas agora, volta à tona.