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Java X .Net: disputa acirrada no mercado nacional

As duas plataformas de desenvolvimento disputam palmo a palmo a preferência do mercado. A Sun Microsystems aposta na maior maturidade da Java. Já a arqüi-rival Microsoft, destaca as qualidades técnicas e o suporte a diversas linguagens de programação da .Net.

Publicado:
17/06/2003 às 11:07
Leitura
9 minutos
Java X .Net: disputa acirrada no mercado nacional

As duas principais plataformas de desenvolvimento dividem opiniões e exigem dos profissionais de tecnologia uma análise minuciosa antes de bater o martelo.


Ricardo Cesar


Em todo o mundo da Tecnologia da Informação (TI), poucas brigas são tão acirradas quanto a das duas principais plataformas de desenvolvimento disponíveis no momento.


De um lado do ringue, com sete anos de vida e largamente empregada por fornecedores líderes de mercado como IBM e Oracle, está a Java, criada e defendida pela Sun; do outro lado, valendo-se de algumas das linguagens de programação mais difundidas no ambiente corporativo, como Visual Basic (VB), C++ e C#, temos a .Net, da Microsoft.
 
Os especialistas garantem: tecnicamente, ambas são muito boas.


A Java leva a vantagem de ser mais testada; a .Net, de ter nascido depois que a Microsoft pôde aprender com os erros da rival.


As duas devem disputar o mercado palmo a palmo durante os próximos anos.


Segundo o Gartner, juntas, as tecnologias terão 80% ou mais do mercado de desenvolvimento de aplicações de e-business até 2008.


O instituto de pesquisas acredita que nenhuma delas será dominante – as duas terão aceitação semelhante.


Muito da participação da Microsoft virá de empresas de pequeno e médio porte.


Já o suporte a múltiplas plataformas e o código transportável da Java devem puxar o forte investimento de grandes corporações.


A opinião de quem usa


A julgar pelas declarações dos gerentes e diretores de tecnologia, o relatório do Gartner está correto: o mercado se mostra extremamente dividido entre os dois concorrentes.


O diretor de informática do banco Sudameris, José Roberto Pitta, considera que as duas tecnologias são boas e a rivalidade estimula a constante evolução de ambas.


“O mercado está dividido, mas ninguém aposta na predominância de uma ou outra em curto prazo”, afirma.


Pitta explica que está analisando as duas plataformas, mas diz que o Sudameris possui um ambiente predominantemente Microsoft, por isso a plataforma .Net “parece uma migração natural.”


Mas faz a ressalva: “não podemos ignorar que grande parte do nosso legado roda em plataforma IBM, o que faz com que a Java WebSphere também se torne uma escolha natural.”


O diretor de tecnologia considera que a favor da .Net está a disponibilidade de mão-de-obra e acredita que o fato de ser fornecida por uma única empresa pode ser uma vantagem, pois ela é integrada ao sistema operacional mais utilizado.


A Java, por sua vez, é um padrão aberto, portável, com várias opções de fornecedores e com o número de desenvolvedores crescendo.


Além disso, permite que pequenas e médias empresas possam evoluir tecnologicamente sem grandes investimentos.


O gerente de TI da Alpargatas, Walter Berger, conta que a empresa não trabalha com .Net por ser uma plataforma mais recente.


“Ainda não temos o domínio. Geralmente terceirizamos o desenvolvimento, mas nossos analistas mantêm o controle do processo e nem todos dominam .Net”, diz, acrescentando que há seis meses adquiriu uma solução de portal corporativo inteiramente desenvolvida em Java.


Na avaliação do gerente de desenvolvimento de sistemas da Golden Cross, Joaquim Santos Neto, ambas são equivalentes em qualidades técnicas.


“O mercado está dividido: metade ama um lado, metade ama o outro. É preciso analisar caso a caso.”


O executivo afirma que a Golden Cross está iniciando um processo de escolha e até o final do ano optará por uma das duas tecnologias.


Apesar de defender a igualdade entre as plataformas, Santos Neto diz que a .Net possui a vantagem de ter independência do aparelho na qual o código será rodado.


“Seja um telefone celular, PC ou Web, programa-se uma vez e a solução roda em qualquer dispositivo.”


Além disso, ele acredita que a relação custo/benefício é mais vantajosa na plataforma da Microsoft.


“Um servidor de componentes em Java tem custo alto. Na plataforma Microsoft, isso já vem integrado ao Windows corporativo. Mas em contrapartida em Java existe a possibilidade de optar por uma plataforma freeware.”


O CIO da Petrobras Distribuidora, Carlos Frederico Kotouc, conta que usa Java e estuda .Net.


“Não posso classificar a .Net como uma tecnologia inteiramente estabelecida no mercado. A Java está consolidada – dentro da curva de uso a plataforma está em um ponto melhor, tem mais estrada”, afirma.


Empresas como IBM e Sun estão consolidadas no mercado de soluções mais pesadas e, embora a Microsoft invista cada vez mais nesse nicho, o executivo considera que ainda há restrições para uso da plataforma Microsoft em soluções de grandíssimo porte.
 
O executivo de TI da Klabin, José Geraldo Antunes, diz que optou pela plataforma .Net.


“Precisávamos de uma plataforma para integrar os aplicativos que compramos do mercado ou desenvolver coisas específicas. Ao pesquisar, ficamos exatamente sobre essas duas: Java ou .Net”, conta.


Antunes avalia que são duas plataformas confiáveis e que não vão desaparecer, mas a escolha pela Microsoft ocorreu como decorrência de a empresa já ter conhecimento das tecnologias da gigante do software.


“Olhamos para o mercado e achamos que ainda há oferta maior de profissionais dentro da linha Microsoft”, diz Antunes.


“Um terceiro fator é que temos visto uma postura diferente na gestão da Microsoft Brasil, que hoje se esforça para se aproximar do cliente corporativo.”


O gerente de TI da Plásticos Mueller, Carlos Alberto Pellegrini, afirma que está avaliando as duas opções há pouco mais de um mês.


“Estamos fazendo um protótipo das novas tecnologias e com base nisso vamos tomar uma decisão”, diz.


Ele explica que se trata de um projeto que liga a empresa às montadoras para orçamento de novos produtos, transferindo as informações necessárias pelas áreas de finanças, processos, qualidade etc.


Já o diretor de TI do Banco Santos, Maurício Ghetler, classifica-se como “heavy user” de .Net.


“Começamos em novembro de 2000 e passamos por todos os betas. Somos um dos maiores usuário do mundo”, diz.


“A .Net é muito complexa, mas também completa. A linguagem C# é superior ao Java”, diz.


Hoje cerca de 60% dos sistemas do banco estão em .Net, incluindo a interligação com o Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB), os sistemas de segurança de Internet e intranet, os sistemas de biometria e os sistemas móveis.


MS e Sun defendem suas crias


Como não poderia deixar de ser, cada empresa procura defender aquilo que oferece.


O diretor de desenvolvimento de negócios de software da Sun Microsystems Brasil, Jorge Medeiros, afirma que a fabricante vem desenvolvendo Java há vários anos para ser usada em qualquer indústria para as mais variadas aplicações.


Em linha com a Java, a Sun lançou a idéia do Open Network Environment (Sun ONE), a visão de arquitetura de infra-estrutura de software da empresa.


Medeiros destaca que sua plataforma é mais madura.


“Hoje a Java é a linguagem com maior número de desenvolvedores no mundo – mais de três milhões.


É fácil encontrar mão-de-obra qualificada e com conhecimento à  disposição para qualquer aplicação.”


Para o diretor da Sun, os diversos acordos feitos pela empresa para a Java por si só impulsionam a linguagem para ser um padrão mundial.


Várias fornecedoras a adotaram como linguagem para desenvolver seus produtos.


“Há soluções da Sun que concorrem com produtos de outras empresas e ambos são em Java”, diz.


“A Microsoft concentrou a .Net em suas mãos, esse é o modelo de negócios deles. O da Sun é abrir, porque quanto mais gente utilizar a tecnologia, melhor.”

Do outro lado


Já a Microsoft ressalta as vantagens da .Net. O gerente do programa de desenvolvedores da subsidiária nacional da empresa, Leonardo Tolomelli, afirma que a plataforma é a base de implementação dos Web services pela Microsoft.


Dentro da família .Net há uma série de produtos que se integram com plataformas diferentes.


“Quisemos aproveitar o treinamento que os funcionários já possuem.


Com Java, a empresa tem que programar em Java; com .Net, temos mais de 30 linguagens, incluindo VB.Net, C++, C# e o J#.”


Tolomelli alega que “a Java integra celulares a servidores, mas esquecem de falar que é preciso ter Java em todas as pontas.


Com .Net é possível integrar um mainframe da IBM com um celular mesmo que usem linguagens diferentes.”


O gerente da Microsoft diz que a premissa da empresa foi suportar múltiplos equipamentos, mas com o mesmo ambiente de desenvolvimento.


“Usamos a mesma ferramenta de desenvolvimento, as mesas linguagens e os mesmos ambientes para desenvolver para qualquer aparelho.”


Ele destaca ainda a questão do custo.


“Os principais fornecedores de tecnologia Java, como Oracle, IBM e Sun, têm seus servidores de aplicação. O diferencial da Microsoft é que o Windows 2003 já possui tudo o que precisa para implementar um servidor de aplicações.”


No quesito performance, Tolomelli explica que em .Net, quando a empresa vai rodar a aplicação da primeira vez, a plataforma vê a aplicação inteira – o que toma um pouco mais de tempo em um primeiro momento – e depois cria uma aplicação compilada, o que dá uma velocidade maior para rodar o programa.


“Também existem compiladores para Java, mas foram desenvolvidos depois. A .Net já foi criada pensando nisso.”


Como se vê, argumentos não faltam de ambos os lados.


Aos gerentes e diretores de tecnologia, cabe a espinhosa missão de definir a melhor plataforma para suas empresas.


A boa notícia é que, com tanta concorrência, as duas tecnologias devem avançar a passos largos nos próximos anos.





































Linguagens de programação por setor de atividade no Brasil
Comércio: VB (34,1%), Delphi (29,6%), Clipper (20,5%)
Finanças: VB (60,4%), Cobol (37,5%), Java (35,4%)
Indústria: VB (44,3%), Delphi (20,8%), Cobol (19,1%)
Informática: VB (55,5%), Delphi (31,2%), Java (13,7%)
Infra-estrutura: VB (47,2%), Delphi (27,8%), Java (22,2%)
Serviços: VB (48,9%), Java (33%), Delphi (30,9%)
Setor público: VB (43,5%), Java (34,8%), Java Script (26,1%)














































Linguagens de programação usadas pelas empresas nacionais
Visual Basic (VB) for Windows 50,1%
Delphi (Borland) 27,3%
Java (qualquer compilador) 17,7%
Cobol (qualquer fornecedor) 15,9%
Clipper (Computer Associates) 14,5%
C/C++ (outros compiladores) 10,3%
Java Script 7,6%
ASP 3,2%
Oracle 3,0%

|Computerworld – Edição 387 – 11/06/2003|

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