A Eletrônicos Prince representante exclusiva da Casio no Brasil anunciou no início da última semana sua nova linha de handhelds industriais, especialmente voltados para uso profissional em aplicações móveis, ambiente no qual os elegantes modelos de uso pessoal teriam poucas chances de sobreviver por muito tempo.
Para atender aplicações móveis, a Eletrônicos Prince traz os modelos IT-70, IT-7000 e EG-800, todos equipados com sistema operacional Windows CE 3.0 e uma extensa linha de acessórios.
O produto que mais se parece com um handheld convencional é o Cassiopeia EG-800, com processador MIPS VR4122 de 150 MHz, 32 MB de RAM, 20 MB de FROM, slot para cartão CompactFlash tipo II, tela em cores padrão TFT sensível ao toque padrão hicolor e bateria recarregável com autonomia máxima de 13 horas, no modelo de maior capacidade.
Entre os vários acessórios opcionais que a Prince trará para o País estarão sistemas de comunicação Bluetooth, scanners de código de barras, impressoras, baterias de tamanhos e capacidades diversas, cabos, adaptadores de rede elétrica, modems, etc.
O grande diferencial do EG-800 é seu acabamento robusto, testado contra quedas de até 75 cm contra um piso de concreto, resistente a chuvas (de acordo com o padrão IPX2 do IEC) e capaz de operar a temperaturas de -5°C a +50°C e níveis de umidade de 25% a 85%. Sua tela sensível ao toque é protegida por uma película transparente descartável que proporciona uma proteção extra contra pó e sujeira.
Os modelos IT-70 e IT-700, por sua vez, possuem características técnicas semelhantes às do EG-800, mas vêm equipados com um teclado numérico já integrado ao corpo do equipamento, facilitando a entrada de dados. A diferença para um modelo do outro é basicamente a tela LCD, que no IT-70 é monocromática e no IT-700, em cores. O IT-70 é ligeiramente mais leve e é capaz de resistir a quedas de até 1 m contra 70 cm do modelo em cores.
Também são resistentes a chuva, temperatura e umidade, como o EG-800. Mas, ao contrário da linha EG, os modelos IT são equipados com dois slots padrão CompactFlash sendo um deles interno , para instalação de um segundo módulo de expansão, seja ele um cartão de memória ou um sistema de comunicação de rede sem fio padrão IEEE 802b.
Nesses ambientes e atividades, os equipamentos estão sujeitos a todo tipo de maus tratos, entre eles exposição a mudanças bruscas de temperatura, poeira e umidade, distância das fontes de energia e até a acidentes ocasionais como quedas ou batidas. Exemplos clássicos são a coleta de dados no chão da fábrica, automação de força de vendas, controle de estoques, monitoração de pacientes em hospitais, etc.
Segundo David Chen, diretor comercial da Eletrônicos Prince, apesar de ter sido uma das pioneiras do mercado de handhelds com Windows CE, lançando até o primeiro HPC com sistema operacional em português (o E-10P) no final da década de 90, a Casio nunca foi bem nesse segmento de mercado no Brasil, que é classificado pelo próprio Chen como o quarto negócio da empresa, ficando atrás dos instrumentos musicais, calculadoras e relógios (o carro-chefe da casa). Temos que ser humildes e reconhecer que apanhamos feio nesse mercado, comentou Chen.
Apesar de a Eletrônicos Prince não ter intenções de abandonar sua linha de HPCs para o consumidor final, Chen pretende virar o jogo com o redirecionamento da sua linha de handhelds para o mercado corporativo, um segmento hoje atendido no Brasil por empresas como Symbol e Intermec. A seu favor, Chen tem uma linha de produtos resistentes e de alta tecnologia, produzidos pela mesma empresa multinacional responsável pelos lendários relógios G-Shock e que faturou mais de US$ 4 bi no ano passado.
Para apoiar a nova linha de equipamentos, a Eletrônicos Prince criou uma divisão chamada CasioSoft para desenvolvimento de aplicações para o mercado corporativo, além de firmar acordos estratégicos com vários desenvolvedores e empresas de tecnologia, entre elas a Sybase e a Cisco.
A Sybase fornecerá uma solução de banco de dados, que permite que os handhelds da Casio funcionem como terminais portáteis de consulta e coleta de dados, capazes de se comunicarem com a rede corporativa da empresa por meio de gateways wireless padrão 802.11b fornecidos pela Cisco.
O mercado corporativo funciona de modo diferente do consumidor final que, na maioria dos casos, utiliza seus equipamentos como agendas eletrônicas, comenta Chen. As empresas estão atrás de soluções completas baseadas em hardware e software.
Segundo Chen, o mercado em potencial de handhelds no mercado brasileiro para este ano está em torno de 100 mil aparelhos. A Casio pretende ficar com pelo menos 35% desse bolo, segundo estimativas do executivo.
(Mario Nagano)
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