Cresce a passos largos a adoção do XML (Extensible Markup Language) entre os usuários corporativos. Novos projetos envolvem o protocolo, que por sua característica nata de reaproveitamento de código e reutilização de aplicações, ganha o gosto e a fidelidade do mercado.
Cresce a passos largos a adoção do XML (Extensible Markup Language) entre os usuários corporativos. Novos projetos envolvem o protocolo, que por sua característica nata de reaproveitamento de código e reutilização de aplicações, ganha o gosto e a fidelidade do mercado. O BankBoston, por exemplo, está investindo US$ 300 mil no desenvolvimento de uma base em XML, sobre a qual serão suportados todos os produtos de Internet da instituição. Já a Check Express, provedora de consultas de cheques e restrições ao crédito, está finalizando a migração de Unix para XML, em cima da plataforma .NET (Microsoft).
O XML é o futuro para a comunicação de dados e integração entre diferentes plataformas, já que desvincula o link físico do servidor e permite abertura entre fornecedores e usuários, avalia Joel Palombo, consultor sênior de Tecnologia da Informação da KPMG Consulting, reiterando que, apesar de o Brasil ainda estar passando por um processo de conscientização junto à tecnologia, já se observa o interesse das corporações e o início de projetos arrojados.
A Check Express, por exemplo, iniciou os testes com o protocolo em agosto deste ano. Na época, não havia uma área específica de TI. Implantei a divisão de tecnologia, desloquei três desenvolvedores para os testes e outros três para o trabalho com os desktops, com o objetivo de apontar a performance do protocolo nos usuários finais da plataforma, explica Ricardo Corrales, diretor de tecnologia da empresa.
O objetivo da adoção do XML é integrar as 80 revendas da marca espalhadas pelo Brasil, por meio de Frame Relay ou link dedicado, que vai permitir a unificação da malha. O ganho de velocidade nas consultas é outro diferencial e o usuário do serviço é o maior beneficiado. Uma consulta levava, em média, 400 milissegundos. Agora fazemos a mesma operação em 230 milissegundos, com a vantagem de que não temos que quebrar os dados, como acontecia com o sistema Unix, relata o executivo.
Hoje, a Check Express atende 13 mil assinantes, faz 700 mil consultas ao mês e cadastra cerca de 900 novos usuários no mesmo período. Decidiu-se pela adoção do protocolo porque o mundo Unix é caro, o profissional tinha que ser ainda mais capacitado e a manipulação dos dados era mais árdua.
Por meio da plataforma .NET, rodando em servidores Compaq/Intel e SQL Server, a companhia fornece mais agilidade aos desenvolvedores tanto o interno, que manipula os dados, como o externo, que recebe a consulta ao crédito consolidada. Antes só podíamos consultar um CPF (Cadastro de Pessoa Física) por transação, agora esse processo pode acontecer em lotes, com inúmeros registros, comemora o executivo.
E essa agilidade é possível pela simplicidade do protocolo. Joel Palombo, da KPMG, explica que o HTML, por exemplo, possui cerca de 300 páginas de comandos, enquanto o XML tem apenas 33. A exigência de hardware é muito menor e a segurança para quem o utiliza é a mesma, porque quem garante a idoneidade dos dados é a arquitetura da rede, afirma o consultor.
Podem ser consultadas, em tempo real, as bases de dados da Serasa, Banco Central, Banrisul e Receita Federal. Por meio da infra-estrutura construída, a capacidade é de cinco milhões de transações por mês, interligando estabelecimentos comerciais em qualquer ponto do País.
Homogeneização
Até o final de 2002, o BankBoston prevê que 60% de todas as suas transações aconteçam pela Internet. De acordo com Luis Fernando Scheliga, diretor de Internet da instituição, até meados deste ano o canal contava com a adesão de 25% dos correntistas. Até o final do ano que vem, o volume de adesões deve duplicar, prevê o executivo, revelando que os 80% de usuários Web já fazem mais de 50% de todos os seus negócios pelo canal virtual.
Pensando nisso, a instituição está gastando US$ 300 mil na construção de uma solução em XML que vai suportar todos os produtos de Internet. A plataforma de desenvolvimento de software é Java e o XML vai permitir a troca dos dados, em todos os processos do banco, e a integração com sistemas externos independente da linguagem que possuam, explica Gilberto Rodrigues, diretor adjunto de tecnologia e Internet do BankBoston.
Em uma consulta a extrato, por exemplo, o documento é gerado em XML e pode ser apresentado em diferentes formatos, como WAP (Wireless Application Protocol) ou na Web hoje a instituição ainda trabalha com HTML. Em produção há um ano, por oito pessoas dedicadas, o projeto visa maior flexibilidade de interfaces. Nossas áreas de sistemas, arquitetura e infra-estrutura trabalharam juntas para garantir a integração de tecnologias. Além disso, IBM, Suma e Eversystems estão nos auxiliando na implementação da solução, detalha o executivo.
Não houve necessidade de troca do parque legado. A maior dificuldade dos profissionais envolvidos foi lidar com o Java, já que a tecnologia ainda não era bem conhecida. A maior vantagem é a flexibilidade de distribuição das informações em diferentes meios, a integração garantida com o exterior e o reaproveitamento do código através da componentização, conclui Gilberto Rodrigues.
| Conheça alguns projetos em XML: |
| Check Express A empresa está integrando 80 revendas espalhadas pelo Brasil, por meio de Frame Relay ou link dedicado. Com o XML, as consultas de crédito ganham velocidade (de 400 milissegundos para 230 milissegundos). Hoje, a companhia atende 13 mil assinantes, faz 700 mil consultas ao mês e cadastra cerca de 900 novos usuários no mesmo período. Decidiu-se pela adoção do protocolo porque o mundo Unix é caro, o profissional tinha que ser ainda mais capacitado e a manipulação dos dados era mais árdua. Antes da adoção do XML, apenas um CPF por transação podia ser consultado. Agora esse processo pode acontecer em lote, com inúmeros registros. |
| BankBoston A instituição está gastando US$ 300 mil na construção de uma solução em XML que vai suportar todos os produtos de Internet. A plataforma de desenvolvimento de software é Java e o XML vai permitir a troca dos dados, em todos os processos do banco, e a integração com sistemas externos independente da linguagem que possuam. Documento gerados em XML podem ser apresentados em diferentes formatos, como WAP ou na Web. Em produção há um ano, por oito pessoas dedicadas, o projeto visa maior flexibilidade de interfaces. |
|Computerworld – Edição 356 – 19/12/2001|