Mirar a lua para atingir as estrelas. Assim alguns executivos de Tecnologia da Informação construíram as suas carreiras e hoje contam histórias de aprendizado, batalha e sucesso.
Cargo-a-cargo
Iniciar o trabalho em uma corporação na simples área de análise de sistemas pode ser um bom começo para quem pretende galgar um alto posto na área de Tecnologia da Informação. Assim aconteceu com Maria Aparecida Leite Lima Filha, hoje gerente de TI para a América Latina da fabricante Bic. Estou na empresa há oito anos, sempre crescendo, mas comecei pequeno, na área de desenvolvimento, lembra a executiva.
Formada em processamento de dados pela Unesp (Universidade Estadual de São Paulo), Maria Aparecida atuou, antes de entrar na Bic Brasil, como consultora de projetos em outros negócios e áreas diversas. Tive a oportunidade de ganhar variedade de conhecimentos quando trabalhei temporariamente em alguns projetos, como da Petroquímica União e da Rede Metropolitana de Consórcios.
O acúmulo de conhecimento deu à executiva a oportunidade de aprender a lidar com vários tipos de modelos de trabalho. Esse exercício, explica Maria Aparecida, permitiu adquirir percepção de diferentes realidades, por isso ela conseguiu crescer e há três anos cuida de toda a operação latino-americana da Bic.
A tarefa funcional de liderança de equipes me deu uma visão ampla da Tecnologia da Informação e de como ela pode ser aplicada aos negócios. Por isso passei inicialmente pela função de supervisora de aplicações e hoje coordeno toda a região, observa.
Além do trabalho fixo no País, Maria Aparecida participa duas vezes por ano das reuniões globais de TI. Um CIO (Chief Information Officer) mundial coordena as operações regionais e é possível, inclusive, receber convites de trabalho em outros países, na própria operação da corporação.
Já recebi um convite da Ásia, mas não pude ir naquele momento. Como esse movimento acontece com freqüência, pode ser que eu ainda vá trabalhar com TI em outro canto do mundo, esse é meu objetivo, conclui a executiva, que está se preparando para iniciar uma especialização em telecomunicações.
Uma vida de dedicação
São 24 anos de compromisso com a mesma empresa. Desde os 15 de idade, Elcio Monteiro batalhou por um espaço na Aventis Pharma. E conseguiu. Hoje o executivo ocupa a função de head of IS (Information Solution) e IO (Industrial Operation) Latin America. Passei por diversas áreas na companhia e esse generalismo de conhecimentos me deu a chance de trabalhar bem a Tecnologia da Informação dentro de todas as divisões, explica.
O primeiro desafio de Monteiro foi o setor administrativo. Nos anos seguintes vieram, então, as áreas financeira (controladoria), comercial (vendas), financeira novamente com a parte de crédito e cobrança , marketing, implantação do R/3 (sistema de gestão empresarial da SAP), gerência de projetos, gerência de informática no Brasil e, finalmente, o cargo atual, ocupado desde o início deste ano.
Durante todos esses anos o executivo graduou-se e pós graduou-se em administração de empresas, e fez vários cursos de especialização. Com a administração eu consegui obter uma visão geral da companhia e tive que me esforçar para receber, de todas as áreas em que trabalhei, uma alta carga de informações, observa Elcio.
Todos esses passos podem ser resumidos em uma só palavra, segundo o conceito do próprio Monteiro: relacionamento. No caso desse alto executivo de TI, o fator sempre importante é adequar a tecnologia aos negócios, daí a importância da formação em administração. As habilidades específicas outros funcionários têm, observa.
Em toda a América Latina, a área de informática da Aventis Pharma é verticalizada, e Monteiro está constituindo equipes de TI em outros países. Segundo o executivo, o objetivo é trabalhar em linha com as diretrizes globais. Na região já adquiri o cargo mais alto. Agora gostaria de ir para os EUA ou Europa.
Tecnologia no sangue
Desde que iniciou sua carreira, João Lencioni respira Tecnologia da Informação. Formado em engenharia eletrônica pela Escola Politécnica da USP (Universidade de São Paulo), o atual CIO (Chief Executive Officer) da GE para a América Latina atuou em diversos setores, mas sempre em TI. Trabalhei como engenheiro de sistemas projetando equipamentos. Colocar mão na massa me deu metodologia, lembra Lencioni, que batalhou cerca de cinco anos nessa função, dentro da Scopus, e em seguida iniciou a empreitada como coordenador e gerente de tecnologia.
A Spike (spin off da Scopus) foi um outro projeto, seguido pela Compsis, divisão da Embraer pela qual o executivo também passou. Depois de uma fase em São José dos Campos (SP), voltei a São Paulo e, nesse período, já sabia como a tecnologia funcionava aplicada aos negócios, revela.
Lencioni acredita que, por ter passado por várias experiências, adquiriu bagagem de discussão, cresceu e evoluiu na carreira. E essa foi a estrada que o executivo trilhou já que, voltando a São Paulo, mais dois desafios foram traspassados. Um deles foi a estadia em uma software house do mercado financeiro. O outro foi gerenciar projetos, também no setor de finanças.
Em seguida veio a GE, que já soma quatro anos de lida. Lencioni atuou inicialmente como diretor de TI da GE Capital, depois foi para os Estados Unidos, trabalhando ainda na mesma unidade por mais um ano.
Na função atual, Lencioni tem que olhar como as aplicações de tecnologia podem ajudar os negócios de toda a região. Também posso adaptar projetos globais para o nosso ambiente. Essa visão dos negócios foi possível pela pós-graduação em administração. Além disso, hoje a GE precisa de alguém para balizar as decisões de TI, declara.
|Computerworld – Edição 367 – 10/07/2002|