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Fortaleza e Campina Grande: eficiência em prol da tecnologia

Cidades são exemplo prático de como as empresas podem ganhar quando o tripé empresas, governo local e universidades age em sintonia. Desenvolvimento de tecnologia atrai o interesse de jovens da região.

Publicado:
03/05/2002 às 11:37
Leitura
5 minutos
Fortaleza e Campina Grande: eficiência em prol da tecnologia

A capital do Ceará é hoje um claro exemplo do que a união de empresas e universidade, com o apoio do governo, pode fazer. De acordo com Joaquim Celestino Jr., coordenador do Instituto de Software de Fortaleza (Insoft), o Estado decidiu levar a indústria de software à sério em 1995.

“Houve a implantação do núcleo Softex e iniciamos os estudos para a criação de um organismo de incentivo, o que resultou na criação do Insoft”, lembra. O primeiro passo foi reunir as poucas empresas existentes e estimular a busca de negócios fora do Estado, o que aconteceu em 1996, com a participação da entidade na Fenasoft.

“Ao mesmo tempo, mostramos ao governo estadual a importância do setor e a necessidade de que suas soluções fossem adquiridas de empresas daqui”, diz Celestino. Na terceira frente, o Insoft uniu-se às universidades federal e estadual do Ceará, estimulando a criação de cursos de especialização no setor.

“Com a evolução das três frentes, as empresas começaram a deslanchar, tanto em relação ao mercado quanto ao desenvolvimento de novos produtos”, afirma. Hoje, o Insoft tem 58 software houses cadastradas – 90% delas nascidas no Ceará – e, de acordo com Celestino, sete delas exportam produtos com regularidade. É o caso da Proteus, que desenvolve sistemas de segurança e hoje concorre diretamente com gigantes como a Módulo.

De todo modo, o coordenador do Instituto diz que o trabalho está apenas começando. Com os resultados obtidos, o governo estadual do Ceará decidiu investir na criação de um Centro Digital. O prédio será entregue até o final do ano, e vai abrigar 30 empresas. “A idéia é oferecer estrutura e mão-de-obra especializada, para atrair grandes software houses para Fortaleza”.

Com o Centro Digital, também as universidades deverão aprimorar a formação de mão-de-obra especializada, o que vem sendo feito em parceria com Insoft. Ao mesmo tempo em que foi autorizada, para este ano, a contratação de cinco PhDs e cinco professores visitantes da Índia pela Universidade Federal do Ceará, o Insoft vem realizando o que chama de Semana de Novas Tecnologias. “Durante as férias escolares, grupos de 100 a 120 alunos passam uma semana conosco, tomando contato com o que há de novo”, diz Celestino.

O executivo ressalta ainda a criação de um Centro de Telecomunicações, em parceria com o CPqD, e também de um Parque Tecnológico na Universidade Estadual do Ceará. “O projeto prevê um espaço, dentro da universidade, onde teremos até 10 incubadoras”, comemora.

Campina Grande é Tech City

Quando a revista Newsweek elegeu Campina Grande uma das nove “Tech Cities” mundiais – em sua edição de abril de 2001 – muita gente se surpreendeu, menos os donos de software houses instaladas na cidade. Para eles, a escolha é resultado de um trabalho, que começou no início dos anos 90, mas tem como origem a formação de uma base acadêmica iniciada nos anos 60.

“O surgimento de qualquer pólo depende de uma universidade forte, e aqui não é diferente”, analisa Alexandre Beltrão, diretor de marketing da Light Infocon – uma das empresas nascidas na cidade. Ele se refere ao campus 2 da Universidade Federal da Paraíba, que desde nos anos 60 instalou-se ali com cursos de engenharia elétrica que, mais tarde, evoluíram também para a área de computação.

Beltrão lembra que o movimento de criação de empresas dentro da universidade foi percebido pelo governo estadual nos anos 80, época em que começaram os incentivos para sua fixação. “Logo em seguida vieram o núcleo Softex e a Fundação Parque Tecnológico. É da união destas três entidades que surge a incubação de novas empresas”, diz o executivo, também membro da diretoria da instituição.

A Fundação Parque Tecnológico, aliás, é uma iniciativa do governo estadual da Paraíba em conjunto com a prefeitura da cidade, a universidade, a Federação das Indústrias da Paraíba e – na época de sua criação – do Banco Estadual da Paraíba, hoje privatizado.

“A instituição é hoje responsável pela segunda fase do processo de formação de empresas. Elas começam na universidade. Quando ganham corpo, passam a ser incubadas na Fundação, onde ganham apoio comercial, logístico e informações sobre exportações e mercado”, explica Beltrão.

Importação de capital

Além disso, a Fundação organiza, desde 1998, um censo anual exclusivo sobre empresas ligadas a área de Tecnologia da Informação. Os resultados impressionam. Em seu primeiro ano, foram identificadas 58 empresas de TI instaladas em Campina Grande.

Em 2002, já eram 108 empresas de TI, das quais 78 – com cerca de 500 empregados diretos – foram visitadas. O executivo lembra que somente essas já representam um ganho de cerca de 40 companhias sobre o censo de 1998. “É um número estupendo para uma cidade como Campina Grande”, comemora Beltrão, lembrando que levantamento semelhante feito em Pernambuco apontou 500 empresas, em todo o Estado.

Citando as empresas locais como grandes exportadoras de produtos e importadoras de capital, o executivo diz que o mercado nacional e externo têm sido o caminho natural dos produtos, não das empresas. “As entidades propiciam apoio para a comercialização em larga escala, enquanto o governo incentiva a permanência dessas companhias aqui”, diz.

Um bom exemplo é a própria Light Infocon. Criadora do banco de dados textual Light Basis, e de soluções para a área de gerenciamento eletrônico de documentos, a empresa tem hoje clientes como Bradesco, Natura, Gol Linhas Aéreas, Receita Federal e Polícia Federal. Além disso, a software house tem um canal na Espanha e acaba de fechar uma parceria de desenvolvimento com um parceiro chinês, iniciando ainda este ano a venda de seus produtos naquele País.

|Computerworld – Edição 362 – 24/04/2002|

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