Dar sequência à Lei tem se tornado cada vez mais caro, reconheceu a companhia que espera melhor escala com processadores 10-nm e 7-nm
Para a Intel, a incapacidade temporária de manter-se em dia com a Lei de Moore – a base de seus negócios – era de certa forma um constrangimento. Porém, a companhia tem concentrando esforços para recuperar o atraso.
A Lei de Moore é uma observação que prevê computadores mais rápidos, baratos e menores e um conceito que a Intel tem seguido durante décadas. Ela define que a densidade de transistores deve dobrar a cada dois anos, enquanto seu custo baixa.
Até recentemente, a companhia lançava chips a cada dois anos. Mas fazê-los cada vez menores tem se tornado um desafio não só tecnológico quanto econômico, defende Bill Holt, vice presidente e gerente geral para o Technology and Manufacturing Group, da Intel, durante o Investor Day, promovido pela própria companhia.
Holt reconheceu que a Intel pode não se manter em dia com a lei de Moore, pelo menos temporariamente. Avanços em chip e economias com custos diminuíram com o atual processador em 14 nanômetro, que é usado para fazer seu último PC, servidor e chips móveis.
Para Holt, é questão de tempo para a Intel estar de volta no caminho certo com a Lei de Moore, da mesma forma em relação a economia e avanços na manufatura de chip.
“Enquanto tem sido cada vez mais difícil do que pensávamos e mais longo que gostaríamos, nós não vemos a longo prazo que haverá uma diferença entre o que nós fomos capazes de atingir no passado e o que nós esperamos atingir no futuro”, disse Holt.
Um possível colapso da Lei de Moore
A Intel encontrou os primeiros problemas ao avançar tecnologia de chip com uma transação problemática para o seu processador em 14 nm. Problemas na produção levaram a atrasos na entrega de produtos e a Intel desacelerou o progresso em chips em 2,5 anos.
Como resultado, a Intel teve de quebrar com seu então tradicional modelo “tick-tock”, que consiste em alternar mudanças na arquitetura dos processadores com encolhimento do processo de fabricação.
A companhia agora está lançando três microarquiteturas com sua tecnologia de 14 nanômetros – que surpreendeu observadores com a introdução no início desse ano do chip “Kaby Lake”, que seguirá as gerações anteriores de processadores Broadwell e Skylake.
Entretanto, a Intel espera atingir melhor escala e economias com sua próxima tecnologia em 10-nm e 7-nm, disse Holt. Os primeiros chips de 10-nm, batizados de Cannonlake, serão entregues em 2017.
Especialistas chamam a atenção para o possível colapso da Lei de Moore e até mesmo Gordon Moore, que fez a observação original em 1965, disse que manter o avanço está se tornando cada vez mais difícil.
Dar sequência a Lei de Moore tem se tornado uma proposta cada vez mais cara, Holt reconheceu. Em 2011, a Intel determinou que teria de gastar US$ 104 bilhões nos próximos 10 anos na produção e desenvolvimento de tecnologia e produtos e, em 2015, essa estimativa subiu para US$ 270 bilhões.
“Há um aumento de custos de pesquisa e desenvolvimento, mas não é algo que nos impedirá de ir atrás da Lei de Moore”, disse Holt.
A Intel já tem as habilidades mais avançadas no que diz respeito à manufatura. Holt acredita que a produção da companhia se manterá uma grande vantagem sobre concorrentes, fazendo com que o dinheiro gasto valha a pena.