Italianos são conhecidos por sua personalidade forte e apreço à estética, além de grande ligação com a criatividade. Assim, não é de estranhar que a Cisco Brasil tenha na liderança de seu laboratório de inovação no País uma italiana. Nina Lualdi, diretora de estratégia de planejamento da companhia e responsável pelas iniciativas transformadoras e investimentos estratégicos no País, tem uma opinião clara sobre o processo de criação interno e acredita que a tecnologia chegou a um ponto que não se pode ficar restrito aos formatos tradicionais de inovação. Um componente que acelerou esse pensamento da executiva é o conceito de internet das coisas (IoT), ou internet de tudo (IoE), como prefere a companhia. Para Nina, trata-se de uma das maiores transformações no mundo recente, cujo impacto será ainda maior em empresas que não são de tecnologia.
Com essa linha de raciocínio, a executiva entende que, para acelerar o mercado de IoE, a fabricante precisa olhar o processo de inovação em duas dimensões e não apenas como vinha fazendo ao longo dos últimos anos. “Como o mercado de IoE pode acelerar? Apenas se aplicativos e tecnologias na ponta demandarem plataforma e conexões. Temos que pensar nosso processo de inovação na infraestrutura e tecnologias que produzimos, mas também em uma dimensão onde a Cisco é catalisadora da inovação que acontece fora da empresa, na ponta, e de maneira bem diferente à inovação tradicional, além de não estar restrita a algumas zonas geográficas no mundo”, explicou, ao conversar com jornalistas e analistas no Centro de Inovação da Cisco no Rio de Janeiro.
Questionada se a companhia estaria preparada para atuar nessa segurança dimensão, a executiva afirmou que esse é um trabalho em curso. “Essa segunda dimensão é uma das grandes transformações que estamos fazendo desde o ano passado. Estamos trabalhando em duas dimensões fundamentais: uma é preparar plataforma de desenvolvimento, de teste, de APIs abertas para diferentes níveis que não tínhamos antes. A segunda coisa é a estratégia da Cisco para inovação que passa pelo papel dos centros de inovação no mundo. Esse do Rio é um exemplo importante e um dos únicos no mundo (são sete no total).”
No caso da plataforma e da abertura de APIs em diversos produtos, o objetivo da fabricante é estar mais próxima dos desenvolvedores, preparando a infraestrutura Cisco e também habilitando os programas necessários para que esses profissionais – muitos deles responsáveis pelas inovações que têm saltado no mercado – possam entender e desenvolver na plataforma da empresa. “Praticamente, todos os nossos produtos tinham APIs abertas, mas não fazíamos publicidade. Agora temos metas específicas para que 100% dos produtos tenham APIs documentadas e que todos eles tenham todas as APIs possíveis.”
Já quando se avalia as estruturas dos centros de inovação, Nina foi enfática ao dizer que esses locais não têm a missão de substituir as áreas de desenvolvimento de produto, mas sim a de ampliar a capacidade da fabricante ser uma catalisadora de inovação em internet das coisas. “Esse centro do Rio é um dos únicos que aborda todas as áreas que queremos trabalhar. E ele foi inaugurado para abraçar a ideia da Cisco como catalisadora da inovação. Esses centros têm dois papeis: novos mercados e oportunidades transformadoras, aquelas que precisam de algum elemento transformador, não necessariamente tecnológico, mas de modelo de negócio.”
O centro tem funcionado muito também no desenvolvimento com parceiros e clientes. O processo de coinovação, aliás, é cada vez mais utilizado pela indústria como um todo. A SAP, por exemplo, mantém em São Paulo um laboratório de coinovação. É uma forma de trabalhar necessidades de clientes e transforma-las em produtos e, no caso dos parceiros, captar tendências ou possibilidades de ampliar ou aprimorar funcionalidades de soluções existentes.
“Cada vez mais focaremos em codesenvolvimento com clientes. Também estamos fazendo pilotos com startups e abriremos desafios para ampliar a conscientização e incentivar o desenvolvimento na plataforma Cisco. O Legado Olímpico, no Porto Maravilha, é um dos exemplos”, comentou Nina. Ela explicou que o projeto Legado Olímpico no Rio de Janeiro envolve plataforma de colaboração para o comitê, programas sociais e inovação urbana.