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Lenovo anuncia fabricação no Brasil de equipamentos de IA para impulsionar PMEs

Produção nacional reduz custos de equipamentos de IA e abre caminho para que PMEs adotem inferência local e projetos avançados de dados

Publicado:
02/12/2025 às 16:18
Déborah Oliveira
Déborah Oliveira
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6 minutos
Erick Pasqualotto, gerente-geral de infraestrutura da Lenovo Brasil. Foto: Divulgação

A Lenovo anunciou hoje (2/12) a produção no Brasil, em sua fábrica em Indaiatuba, interior de São Paulo, de equipamentos storage e workstations de alta performance, prontos para a era da inteligência artificial (IA), em uma aposta que mira, especialmente, o imenso mercado nacional de pequenas e médias empresas (PMEs), hoje demandante de infraestrutura acessível para treinar, rodar e escalar modelos de IA dentro de casa.

Na linha de storage, o ThinkSystem DE Series passará a ser fabricando localmente, bem como as estações de trabalho Lenovo ThinkStation P2 Tower Gen 2, Lenovo ThinkStation P3 Tower Gen 2 e Lenovo ThinkPad P16v Gen 3.

A promessa do movimento é democratizar a inferência e o uso prático da inteligência artificial, reduzindo custos, encurtando prazos de entrega e viabilizando aplicações que, até pouco tempo, estavam restritas às grandes empresas.

O movimento da empresa ganha força quando se considera a escala da operação. Só em Indaiatuba, a Lenovo já entregou quase 10 milhões de máquinas em 12 anos, emprega 2,1 mil funcionários e incorpora 2 mil fornecedores nacionais, números que mostram o potencial multiplicador da decisão de trazer ao País produtos antes exclusivamente importados. “A produção local fortalece a cadeia, reduz custo logístico e permite que a IA chegue com força ao mercado de PMEs”, reforçou Erick Pascoalato, gerente-geral de infraestrutura da Lenovo Brasil.

Segundo o executivo, a base da estratégia está em uma decisão que vinha sendo desenhada há anos: a de fabricar no país a linha de storage DE Series, utilizada tanto por grandes corporações, como o supercomputador Harpia, da Petrobras, quanto por empresas de menor porte que precisam organizar dados e rodar inferência de IA com velocidade e segurança.

“Quando cheguei à Lenovo, vi que produzíamos celulares, PCs, notebooks, servidores, mas não o componente crítico: o armazenamento”, lembrou Marcos Café, diretor de soluções de storage da Lenovo para a América Latina. “Faltava fabricar aqui o que guarda, protege e entrega dados. E dado é ouro: ninguém guarda ouro em qualquer lugar”, contou ele.

A decisão se apoia ainda no próprio apetite do mercado. Segundo dados apresentados por Café, 75% dos dados corporativos já são gerados fora do data center tradicional, impulsionados por internet das coisas (IoT), edge computing e redes inteligentes. Além disso, o mercado global de infraestrutura deve alcançar US$ 160 bilhões até 2028, puxado por cloud híbrida, analytics e IA. No Brasil, apenas o segmento de storage deve atingir US$ 323 milhões até 2029, segundo a IDC.

Em um país em que PMEs representam 99% das empresas e mais de 30% do PIB, a ausência de infraestrutura local, acessível e escalável é uma barreira direta à adoção de IA. A Lenovo quer ocupar esse espaço.

“Os novos equipamentos são a porta de entrada para a IA no mercado de pequenas e médias empresas”, destacou Pascoalato. “É para quem quer usar IA já pronta, fazer inferência local, sem precisar desenvolver modelos do zero ou investir em um data center próprio”.

Aditivo à produção local da Lenovo

Produzir no Brasil significa escapar de tarifas de importação elevadas e reduzir o tempo entre pedido e entrega, pontos que historicamente inviabilizavam workstations e storages avançados.

De acordo com a Lenovo, as workstations torre já começaram a ser produzidas localmente no fim de outubro deste ano, modelos mobile entram em fabricação em janeiro e a linha de storage começa na segunda quinzena de dezembro.

Cada novo produto exige “investimentos adicionais na casa de milhares de dólares” em tooling, capacitação e adequação de linha, segundo Daniel Bittencourt, gerente de desenvolvimento de negócios da Lenovo. Mas os ganhos aparecem em outras frentes também. “Produção local nos dá competitividade em preço, supply chain mais resiliente e muito mais velocidade de entrega”, completa.

Mesmo sem detalhar valores para produzir os equipamentos ou valores, os executivos afirmaram que a expectativa é de redução real de preços para o consumidor final, especialmente no segmento de PMEs.

A projeção é de que a linha de entrada represente 15% a 20% do mercado nacional de storage, algo entre US$ 50 milhões e US$ 60 milhões em potencial imediato. “Queremos liderança nesse segmento nos próximos anos”, reforçou Café.

Supercomputador e democratização da IA

Outra novidade apresentada foi o Lenovo ThinkStation PGX, desenvolvido em parceria com a Nvidia. Trata-se do primeiro supercomputador pessoal dedicado ao desenvolvimento de IA, já disponível no Brasil, embora não seja fabricado localmente. Sua proposta é democratizar o acesso à capacidade de treinamento direto na mesa do desenvolvedor.

O supercomputador entrega até 2 petaflops de capacidade de processamento, permitindo que empresas de qualquer porte iniciem projetos de IA avançada com investimento significativamente menor que o exigido por soluções tradicionais. A combinação de potência e formato compacto coloca o PGX como um ponto de entrada acessível para quem precisa treinar modelos sem depender de data centers ou grandes clusters. Seu valor gira em torno de R$ 40 mil.

“É realmente um supercomputador pessoal. Uma startup, um laboratório, uma PME consegue treinar modelos, fazer testes e levar isso para a nuvem ou para o data center depois, sem refazer nada”, explicou Márcio Aguiar, diretor da divisão Entreprise da Nvidia para a América Latina. “É o primeiro passo acessível para quem quer entrar em IA sem precisar de um investimento milionário.”

Isso muda radicalmente o jogo para empresas de varejo, saúde, manufatura, agronegócio, logística e serviços, setores que hoje enxergam IA como diferencial, mas, muitas vezes, não têm equipes internas capazes de gerenciar clusters de treinamento.

Impacto para a economia e para a indústria nacional

A estratégia conversa diretamente com um movimento mais amplo que se está em discussão no Brasil, o Redata, programa do governo federal que prevê redução ou isenção de impostos para data centers que investirem em infraestrutura nacional e em P&D local. Para a Lenovo, a novidade tem, sim, potencial de “turbinar” o ecossistema.

“Hoje, os custos de importação travam o crescimento dos data centers. O Redata, junto ao Plano Nacional de IA, pode colocar o Brasil em outro patamar”, afirmou Pascoalato. “Queremos trazer mais tecnologia de ponta para ser fabricada aqui, aumentar P&D e criar vantagens competitivas reais”, assinala.

A empresa já opera com 80 profissionais de P&D em Indaiatuba, além de projetos nacionais como o Lenovo Libras, que traduz linguagem de sinais em tempo real via câmera.

Outro ponto é o compromisso com eficiência energética, preocupação crescente em meio à corrida global por servidores. A Lenovo conta com a tecnologia Neptune, de refrigeração líquida, reduz consumo de energia, elimina fãs e aumenta desempenho. “Data center não precisa se tornar uma sala congelada”, explicou Pascoalato. “Refrigeramos CPU, GPU e memória com água, como um radiador automotivo, sem exigir grandes obras”, detalha.

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Déborah Oliveira
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Editora-chefe e diretora de Conteúdo do IT Forum, Déborah Oliveira é jornalista com mais de 17 anos de experiência na área de TI. Tem passagens pelas redações da Computerworld, CIO e IDG Now!. Bacharel em Jornalismo, com graduação executiva em Marketing, e MBA em Marketing. Em 2018, foi vencedora do prêmio de melhor Jornalista de TI no Brasil, do Cecom. Em 2019 e 2020, foi destaque do mesmo prêmio na categoria Telecom. É uma das autoras do livro “Da Informática à Tecnologia da Informação – Jornalistas Contam Suas Histórias”, pela editora Reality Books, lançado em 2020.

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