Hoje existe uma divergência crescente entre as organizações que mantêm iniciativas de negócios digitais e aquelas que estão apenas planejando essas ações. De acordo com uma pesquisa recente realizada pelo Gartner, 32% dos líderes de organizações com receita anual igual ou superior a US$ 250 milhões lidam com negócios digitais – valor esse superior aos 22% registrados pela mesma pesquisa no ano passado.
A pesquisa também revelou que a maioria das empresas que estão tomando essas iniciativas não distinguem entre estratégia de negócios digitais e não digitais. As organizações que estão na fase de planejamento veem as duas de forma distintas.
Em termos práticos, uma empresa que está migrando da estratégia para a execução terá menos etapas para atingir seus objetivos, em comparação com aquela que necessita inserir um processo de planejamento separado para os negócios digitais. Com o tempo, mesmo que a equipe mais eficiente encontre problemas, ela poderá se recuperar mais rapidamente do que a outra, cujo processo estratégico é maior.
Os resultados mostram ainda que os executivos que já estão nos negócios digitais investem em projetos-piloto e implantação, enquanto aqueles em fase de planejamento se concentram em investigação e experimentação.
A maior prioridade dos precursores dos negócios digitais é a adoção de novas tecnologias (70%). As outras áreas de atenção são: criação de um ambiente amplamente colaborativo (56%) e suporte à mudança de tecnologia voltado para o cliente (53%). Essas áreas representam respostas para um estímulo externo e são características de um negócio digital saudável.
Quando solicitados para identificar qual seria os impactos positivo ou negativo dos negócios digitais nos próximos cinco anos, os líderes organizacionais concordaram que haverá melhorias na experiência e no envolvimento do usuário (86%), na organização de TI (86%), na produtividade da força de trabalho (84%) e na organização de vendas (83%).
As organizações parecem prever poucos aspectos negativos, no entanto, com apenas 7% de projeção de um aspecto negativo ou impacto significativamente desfavorável em relação à equipe, e 6% em fusões e aquisições.
De acordo com o vice-presidente e analista distinto do Gartner, Jorge Lopez, os efeitos dos negócios digitais não podem ser subestimados. Na opinião do especialista, até hoje as categorias limitadas de produtos, compostas por música, livros, fotografias e jornais, veem seus modelos de negócios alterados.
No futuro, afirma Lopez, os líderes organizacionais de outros produtos e categorias de serviços também precisarão se adaptar, reestruturando a força de trabalho, eliminando funções obsoletas e encontrando talentos que possam ajudar os sistemas de projeto e fluxos de trabalho a otimizar o uso de elementos integrados com as pessoas e negócios para dar um novo valor aos clientes.
Para o levantamento foram entrevistados 304 executivos de empresas dos Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha e Austrália, entre maio e junho de 2015, como parte de sua pesquisa Digital Business 2015. O objetivo foi compreender como companhias e instituições captam, identificam e exploram as novas oportunidades que os negócios digitais oferecem.