Na última apresentação dos resultados financeiros da companhia, Mark Zuckerberg, fundador e CEO da maior rede social dos últimos tempos, o Facebook, deu aos investidores o que eles queriam: a empresa oficialmente está produzindo mais fonte de renda que nunca, tem cada vez mais usuários (de 1,44 bilhão passou a ter em sua base 1,65 bilhão) e fornece aos anunciantes uma plataforma rentável para investirem.
A companhia, que começou como uma rede de interação entre amigos da Universidade de Harvard, cresceu – e muito, como muitos não poderiam imaginar – e agora, seu fundador quer apenas uma coisa em troca dos benefícios e conquistas que deu aos investidores: o controle da companhia, de fato.
Ao longo dos anos, a empresa conseguiu não somente usuários, mas conquistou número de acessos considerável também via mobile. Além disso, Zuckerberg
reinventou seus negócios e apostou em tudo o que o dinheiro podia comprar:
WhatsApp,
Oculus,
Instagram, só para citar alguns exemplos.
Com isso, ela não só ganhou novas formas para explorar novas tecnologias, mas também
acrescentou ferramentas para que anunciantes pudessem atingir no alvo usuários. A receita móvel cresceu 57% no primeiro trimestre do ano, e a plataforma se modificou de forma a prender o usuário nela – cada pessoa gasta em média 50 minutos dentro da página, não somente usando serviços como o Messenger, mas lendo notícias que são inseridas na própria rede por meio do Instant Articles. O usuário visualiza, portanto, tudo o que quer dentro da própria rede social, sem ser mandado para um link externo.
A empresa tem custos que compensaram seu lucro global de meros US$ 1,51 bilhão. Desde o ano passado, esse número triplicou, o que explica porque investidores encararam de forma tão favorável os resultados quando comparados com a Apple, com seus US$ 1,50 bilhão.
Zuckerberg sabe que não é só dos bons resultados que a empresa vive. Sua liderança também é bem vista no Vale do Silício e ele se tornou mundialmente uma das figuras mais influenciadoras da internet, ao lado de grandes nomes como Steve Jobs e Bill Gates. Os investidores querem manter assim, então ele forçou um pouco mais.
Ele já é dono de uma quantidade desproporcional de ações “classe B”, que levam 10 votos em debates internos contra um voto de ações “classe A”. Agora, a companhia propôs uma divisão três a um durante a apresentação de resultados, o que daria a cada acionista do Facebook duas ações adicionais que não dão direito a voto para cada uma ação que eles já possuem.
Na prática, essas ações sem voto podem ser vendidas sem abrir mão de qualquer controle real da companhia, o que é ótimo para o CEO, que se comprometeu a doar 99% do valor das suas ações para a caridade ao longo de sua vida.
Se aprovado, o plano de Zuckerbeg leva ao controle da companhia de volta às suas mãos. “Serei capaz de manter o controle de fundador do Facebook, e poderei continuar a construi-lo no longo prazo, e Priscilla [Chang, esposa do executivo] e eu poderemos dar a vocês o nosso dinheiro para financiar importante trabalho em breve”, disse ele.
Se Zuckerberg, algum dia, desistir desse papel de líder e fundador da rede social, essa estrutura de voto irá reverter o cenário a um sistema convencional.