Museu de Artes de São Paulo, que teve quadros de Portinari e Picasso furtados (e recuperados), conta como serão os sistemas de proteção física e de dados implantados.
Para evitar furtos – como o que aconteceu no último mês de 2007, dos quadros O Lavrador de Café, do pintor brasileiro Candido Portinari, e Retrato de Suzanne Bloch, do espanhol Pablo Picasso, recuperados no dia 08 de janeiro – o Museu de Artes de São Paulo (Masp) recebeu doações de peso. Não em dinheiro. São sistemas de segurança. “O projeto deve preservar um patrimônio que não é financeiro e que por isso não pode ser mensurado”, afirma o superintendente administrativo do MASP, Fernando Pinho.
Mas os trabalhos estão apenas começando e ainda há um longo caminho até que os 120 pontos de monitoramento e todos os controles de acesso estejam implementados e em funcionamento. Até porque o esquema de segurança é espelhado ao usado no Louvre, um dos mais importantes museus do mundo, situado em Paris, na França. “O novo sistema colocará o Masp como um dos museus mais seguros do mundo e impossibilitará qualquer tentativa de invasão”, afirma Pinho.
A iniciativa consiste na criação do Centro Especial de Monitoramento de Alta Tecnologia para Museus (Cemam), que promove a substituição de equipamentos analógicos por digitais e a colocação de câmeras híbridas que recebe cabos axiais e até de rede RJ45 com endereçamento IP.
“Isso tudo deverá ser gerenciado por DVRs [Digital Video Recorder – um servidor de imagens] que terá a função de gravar essas informações para combinação posterior”, explica o gerente de projeto do Cemam, Carlos Henrique Silva.
O executivo explica que ao sistema será atribuído um banco de dados capaz de fazer registros fotográficos e também fazer um comparativo de fotos. Assim, um visitante, por exemplo, cada vez que chega ao Museu têm sua foto tirada pelo o vendedor de ingressos, que descobre quantas vezes a pessoa foi ao local.
As imagens são compartilhadas com a Polícia Militar de São Paulo, que é quem faz o monitoramento e segurança da região da Avenida Paulista. Entretanto, ainda há muito trabalho para que a segurança seja plena. Silva diz que, nesta terça-feira (15/01), a primeira fase do projeto – em que serão substituídos os equipamentos antigos – será concluída.
Na segunda etapa, as atuais 48 câmeras em funcionamento chegarão a 87, que é o mínimo avaliado como apropriado pelos responsáveis após análise de risco. “Finalmente, a conclusão está prevista para julho de 2008, quando 120 pontos estarão instalados e monitorados e as pessoas treinadas”, afirma.
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Por isso, o banco de dados é dimensionado. Na medida em que se incrementam informações e câmeras, o espaço aumenta. Serão necessários 3,7 terabytes de storage no segundo semestre de 2008, que também foram doados pela Infra48 e pela LG Security Systems. “A parte da Infra48 é a mão-de-obra e a da LG são os sensores, câmeras robotizadas, os DVRs, entre outros”, afirma.
Silva, natural do Rio de Janeiro, conta que a decisão da Infra48, do qual faz parte, e da divisão de segurança da LG de colaborar com o projeto foi tomada porque os executivos das empresas se sensibilizaram com a situação do Museu. “Eu sou do Rio e não quero que São Paulo tenha a mesma alusão à violência que a Cidade Maravilhosa tem. Então tomamos para nós a responsabilidade de proteger o Masp e fizemos as doações”, explica.
Por essa razão, o executivo não revela quanto investiu. Ele diz apenas que no projeto de segurança de um museu de Nova York realizado há dois anos foram gastos 2 milhões de dólares. “O Masp é bem menor, mas a quantia mesmo assim é significativa”, indica.