O terceiro trimestre de 2015, período em que normalmente o mercado de PCs é bastante aquecido, não registrou salto positivo para o setor. Dados da IDC indicam que entre meses de julho e setembro, apenas 1,6 milhão de computadores foram comercializados, 37% a menos do no mesmo período de 2014.
Esse é, de acordo com a consultoria, o pior desempenho trimestral em volume de vendas da última década. Do total de equipamentos vendidos, 993 mil foram notebooks e 607 mil desktops.
Pedro Hagge, analista de pesquisas da IDC Brasil, avalia que o resultado das vendas está em linha com as projeções da consultoria e reflete a situação econômica e política do País, que tem levado incertezas para a população.
“Mesmo vendendo menos, o ticket médio ficou em R$ 2.341, o que representa acréscimo de 49% de um ano para cá”, afirmou. Reflexo direto do aumento dos preços dos produtos.
Segundo Hagge, o mercado de PCs está registrando quedas seguidas desde 2012. “Até aquele ano, o PC era praticamente o único equipamento que permitia acesso à internet. Hoje, temos outros dispositivos e a vida útil das máquinas praticamente dobrou”, observa, completando que como há vários tipos de computadores com diferentes configurações, o consumidor acaba postergando a troca.
Nem mesmo a Black Friday foi capaz de reverter o quadro, diz o analista. Segundo ele, a adesão não foi tão grande quanto nos últimos anos. “As vendas foram positivas, porém, não ajudaram a recuperar o desempenho”.
Até o final do ano, a IDC Brasil projeta queda de 37% nas vendas (com 6.5 milhões de PCs vendidos), alta de 39% no ticket médio e queda de aproximadamente 12% na receita. Em relação a 2016, o mercado será diretamente impactado por conta do fim da Lei do Bem. Segundo o analista da IDC Brasil, “na comparação com os outros dispositivos, certamente o PC será o mais afetado pelo fim da medida provisória”.