Um misto de crise e muitas oportunidades fizeram com que o e-commerce no Brasil crescesse 21,52% nos últimos 12 meses (encerrados em fevereiro). Dos cerca de 450 sites de varejo on-line, o País agora conta com quase 550 mil, de acordo com levantamento realizado pela BigData, sob encomenda da PayPal, e divulgado nesta quinta-feira (31/3).
Crise e oportunidade, porque, ao mesmo tempo em que lojas foram encerradas, de acordo com dados da Confederação Nacional do Comércio, mais de 80 mil lojas fecharam as portas em 2015, novos e-commerces foram abertos, seja novo negócio ou complemento à loja física já existente. A internet, portanto, passa a ser forte aliada e um dos motivos é infraestrutura mais barata, que não apresenta tantos entraves iniciais para se estabelecer um negócio.
Isso também pode ser visto nos seguintes números da pesquisa: a maior fatia (92,64%) do mercado é composta por pequenos e-commerces (até 10 mil visitantes por mês). O número é seguido por lojas on-line de médio (até 500 mil visitantes por mês, com 6,61%) e grande portes (mais de 500 mil visitantes por mês, com 0,76%).
Nota-se que a maioria das páginas está concentrada no primeiro bloco. “É um movimento interessante e ao mesmo tempo natural. A grande maioria dos players novos está na classificação de ‘pequenos’ e isso vem associado ao conceito de que empreender por meio do e-commerce oferece um custo mais baixo e riscos menores”, observa Thoran Rodrigues, CEO do BigData e responsável pela análise do levantamento, apresentado na sede da PayPal, em São Paulo.
A região com maior concentração de sites do tipo é o Estado de São Paulo, com 56,38% do mercado. Fora desse eixo, outros locais como Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Espírito Santo, Bahia, também apresentaram uma fatia do mercado significativa e, em 2016, a divisão ficou mais bem distribuída entre essas outras regiões, de acordo com Rodrigues.
Com relação ao local de hospedagem dos sites, a pesquisa apontou um movimento curioso. Em 2015, as páginas estavam hospedadas, em sua maioria (45,25%), nos Estados Unidos. Apesar do número de hospedagens no país ter se mantido estável em relação aos últimos 12 meses, ficando em 45,51%, o número de páginas hospedadas no Brasil aumentou de forma significativa, passando de 28,48% no ano passado para 44,42% no período encerrado neste ano.
Os dois principais motivos apontados pelo executivo para esse movimento foram a alta do dólar e uma regulamentação mais rígida no País com relação a compra de serviços de hospedagem, que onerou o custo de manutenção para os e-commerces. “Apesar do aumento, a qualidade dos serviços de hospedagem no Brasil, no entanto, não melhorou”, comenta Rodrigues. “Então, esse movimento não é algo tão positivo assim”, observa, complementando que a tendência é que a migração para os Estados Unidos volte a acontecer quando o dólar estabilizar novamente.
Sites responsivos também ganharam mais atenção nos últimos 12 meses, representando 16% do total de páginas. É um valor ainda baixo, de acordo com Rodrigues, porque desenvolver exige também a contratação de profissionais especializados. E, como ainda há um número grande de e-commerces que dependem de plataformas pré-moldadas para manter seus sites, o número de sites responsivos ainda é pequeno.
As mídias sociais também desempenham papel importante no relacionamento entre cliente e empresa, com 60,71% dos e-commerces utilizando tais ferramentas. Dentre as principais identificadas pelo estudo estão: Facebook (54,96%), Twitter (35,87%), YouTube (20,8%) e Instagram (9,32%). “Os dois últimos são um destaque interessante, porque no último ano quase nenhum site utilizava tais redes”, comenta Rodrigues.
Segurança
E-commerces têm de se preocupar com ferramentas que possam trazer segurança durante a navegação de usuários no site, especialmente porque lidam diretamente com informações sensíveis. Em 2015, o cenário era preocupante: apenas 20% dos sites possuíam certificados SSL, que garantem navegação segura. Já em 2016, o quadro sofreu reviravolta e 73% dos sites adotaram a certificação.
O que justifica esse movimento brusco, Rodrigues chamou de “efeito Google”. Em 2015, a empresa de Mountain View forçou organizações no mundo todo a adotarem o certificado. “Caso contrário, páginas seriam retiradas das pesquisas”, explicou o executivo. “Mais do que a adoção, isso acabou por estimular e-commerces a investir nessas questões, porque oferecee segurança ao site significou também aumento na taxa de conversão para eles”, comentou – já que quanto mais segurança, mais confiança o usuário adquire e, como consequência, mais compras são feitas.