O trabalho é, hoje, cada vez mais baseado em equipes. Assim, seria natural esperar que profissionais com fortes habilidades sociais são mais capazes de trabalhar bem com outros, algo que está se tornando valioso nas empresas. Bom trabalho em equipe aumenta a produtividade a partir da vantagem comparativa, ou a noção de que diferentes membros de uma equipe devem especializar-se em tarefas nas quais eles são melhores.
Para refletir sobre o tema, Irving Wladawsky-Berger, que se aposentou em 2007, depois de 37 anos de IBM, usa como referência texto de Charles Duhigg publicado no New York Times, intitulado O que o Google aprendeu com a busca de construir a equipe perfeita. O conteúdo está focado no projeto Aristoteles, iniciativa do Google iniciada em 2012, que examina centenas de equipes da gigante de internet para saber por que alguns grupos de trabalho prosperam enquanto outros simplesmente falham.
“Qualquer uma das empresas mais valiosas hoje percebem que análise e melhoria de profissionais individualmente – prática conhecida como otimização de desempenho do empregado – não é suficiente”, escreve Duhigg. “Como o comércio se tornando mais global e complexo, a maior parte do trabalho moderno é pautado em equipe e em muitas empresas, mais de três quartos do dia de um funcionário é consumido em comunicação com colegas.”
De acordo com Duhigg, no Vale do Silício, engenheiros de software são incentivados a trabalhar em grupo. Em parte porque estudos mostram que times tendem a inovar mais rapidamente, ver erros mais rapidamente e encontrar melhores soluções para problemas. Além disso, acrescenta, pesquisas mostram que pessoas que trabalham em equipes tendem a alcançar melhores resultados e reportar maior satisfação no trabalho.
Em um estudo de 2015, por exemplo, executivos disseram que a rentabilidade aumenta quando profissionais são persuadidos a colaborar mais. Equipes são agora a unidade fundamental das organizações. Se uma empresa quer superar seus concorrentes, precisa influenciar não só como as pessoas que trabalham nela, mas também a forma como eles funcionam juntos.
Artigo publicado pelos professor do MIT Tom Malone, da Carnegie Mellon University, Anita Woolley e seus vários colaboradores ao longo dos últimos oito anos, abordou um conjunto de perguntas interessantes como: grupos apresentam níveis característicos de inteligência que podem ser medidos e usados para prever o desempenho do grupo em uma ampla variedade de tarefas cognitivas? Pode-se conceber testes para medir a inteligência do grupo, utilizando metodologias e técnicas estatísticas semelhantes às que foram aplicadas para medir o QI das pessoas ao longo dos últimos cem anos?
Eles identificaram que grupos com melhor desempenho exibiram três características fundamentais:
1. Contribuições mais igualitária. Membros do grupo contribuíram de forma mais equitativa, em vez de deixar um ou dois dominar a conversa.
2. Empatia superior. Membros pontuaram mais alto em sensibilidade social. Ou seja, com capacidade elevada de ler estados emocionais um do outro, conforme medido pela leitura da mente.
3. Mais mulheres. Grupos com mais mulheres superou grupos com mais homens. Isso é possível porque mulheres geralmente têm pontuação mais elevada do que homens em testes de sensibilidade social.
Outras investigações tiraram conclusões semelhantes. Por exemplo, no artigo de 2015 intitulado A crescente importância das habilidades sociais no mercado de trabalho, o professor de Harvard David Deming mostrou que mercados de trabalho têm sido agraciados com indivíduos com fortes habilidades sociais – competências interpessoais que facilitam interação e comunicação com outros.
Para Deming, ainda somos muito pobres aos simular a interação humana. “Ler mentes dos outros e reagir é um processo inconsciente, e ter habilidade em ambientes sociais, evoluíram em humanos ao longo de milhares de anos. Interação humana no local de trabalho envolve produção em equipe. Essa interação é o cerne da vantagem humana sobre as máquinas. A crescente importância das habilidades sociais potencialmente pode explicar uma série de outras tendências em resultados educacionais e no mercado de trabalho, como o estreitamento – e em alguns casos inversão – das disparidades de género na educação”, observou.
Dessa forma, profissionais com boas habilidades sociais devem ser mais capazes de reforçar pontos fortes de outros, aprender rapidamente em quais tarefas são melhores, e ter flexibilidade para se adaptar às novas circunstâncias.
Outro artigo recente de Ernest Wilson, reitor da Escola Annenberg de Comunicação e Jornalismo da Universidade do Sul da Califórnia, nos Estados Unidos, descreveu um estudo para entender melhor as competências-chave que empresas procuram. O estudo perguntou aos líderes de negócios de todo o mundo quais atributos executivos devem ter para obter sucesso na economia digital.
Constatou-se que habilidades tradicionais de talentos de escolas de engenharia e de negócios devem ser complementadas com um conjunto de soft skills ou atributos. Cinco deles foram citados como fundamentais: adaptabilidade, competência cultural, pensamento de 360 graus, curiosidade intelectual e empatia. Empatia foi o atributo mais importante indicado pelo estudo.