Embora seja um tema de grande amplitude e que vem sendo trabalhado há alguns anos por empresas de diversos setores, a mobilidade sempre incita bons debates, seja por falhas no entendimento do seu conceito global ou mesmo por projetos interessantes que surgem no mercado. Para entender um pouco melhor o estado da mobilidade, a Citrix encomendou uma pesquisa à Vanson Bourne e os resultados em âmbito global trouxeram conclusões interessantes. Um deles é a percepção de que iniciativas móveis ampliam a produtividade dos funcionários.
Para Ricardo Alem, engenheiro de vendas América Latina, isso foi uma surpresa. “Me chamou a atenção a comprovação da produtividade. Achava que a percepção de valor demonstrada pelo estudo seria menor por não ser tão tangível. Eles realmente veem mobilidade como diferencial competitivo, o que demonstra que o tema está mais maduro nas empresas.” E realmente a percepção é elevada, pelo menos 54% dos respondentes disseram que a iniciativa móvel ampliou a produtividade dos funcionários. Outro benefício, citado por 52% dos participantes, foi aumento da flexibilidade.
A pesquisa foi realizada com 1,7 mil tomadores de decisão em TI em 17 países, entre eles Brasil, Estados Unidos, China, Índia, França, Japão e Alemanha. Chama atenção entre os números, por exemplo, que para 45% dos respondentes a mobilidade é um item essencial de transformação do modelo de negócio. Outros 47% disseram que a empresa já possui uma estratégia de mobilidade definida. Já quando se avalia iniciativas de mobilidade em curso, 45% citam aumento no desenvolvimento de aplicações, 44% adoção de ferramentas de colaboração e soluções seguras para compartilhamento de arquivos e 43% falam de investimentos em rede para suportar esses dispositivos.
Como é praticamente impossível falar de mobilidade sem citar o movimento de traga seu próprio dispositivo (BYOD, da sigla em inglês), a pesquisa também questionou os entrevistados a respeito de iniciativas do tipo. Para surpresa, 71% dos executivos ouvidos disseram que já tem política ou encorajam o uso de dispositivo próprio. O número surpreende e acaba não refletindo muito a realidade brasileira, onde existe, sim, um interesse, mas pouco se vê de projetos práticos.
E o engenheiro da Citrix concorda com essa avaliação. “Vejo interesse no tema, mas não investimento no curto prazo. Os executivos ainda têm dúvidas sobre legislação, controle de funcionários e mesmo dos ativos. A Citrix tem BYOD internamente, mas não é algo tão comum de se ver ainda, mesmo com usuário buscando independência de plataforma”, avalia, lembrando que, nos Estados Unidos, o tema é mais avançado.
O executivo, em conversa com a IW Brasil, ainda fez um alerta. Ele lembrou que, geralmente, as áreas de negócio pensam mais em legislação e a TI mais na tecnologia que será suportada, mas que é preciso desenvolver uma visão global do que acontece dentro das empresas. “Quem não tem visão de que dispositivo pessoal pode evoluir para BYOD, adota uma solução de curto prazo, que não escala e não gerencia bem usuário e aplicações”, comenta, frisando que, mais à frente, isso pode gerar um retrabalho.