Perder o potencial de vendas da Black Friday porque seu site não é capaz de suportar o aumento de acessos não pode ser uma opção.
A Black Friday é um fenômeno único, que não pode ser comparado com qualquer outra data no ano. Pelo menos para quem, de alguma forma, trabalha com e-commerce. De quinta a sábado, os acessos aumentam 4 ou 5 vezes e, no horário de pico, esse número chega a ser 10 ou 12 vezes maior.
Como você deve imaginar, perder esse potencial de vendas porque seu site não é capaz de suportar o aumento de acessos não é uma opção. E, mesmo se ele não cair, apenas apresentar lentidão ou páginas com erros já será o suficiente para as pessoas saírem sem finalizar a compra. Então, acho que nem preciso falar que é tão importante se preparar muito bem para a Black Friday, não é?
Desde 2015, eu cuido da infraestrutura de um social commerce, e tenho orgulho de dizer que o site nunca caiu ou teve uma instabilidade que pudesse atrapalhar os nossos usuários durante a Black Friday. Claro, há quatro Black Fridays atrás, nós não tínhamos o conhecimento e a infraestrutura que temos hoje e muito menos a quantidade de acessos. Por isso, tudo que vou compartilhar é resultado de um processo de aprendizados, tanto teóricos quanto práticos, que vieram com a necessidade e com a experiência.
Antes de começar, quero dividir que o maior desafio não é criar uma estrutura capaz de manter seu site no ar, mas conseguir fazer isso com o melhor uso de recursos (leia-se: sem estourar o orçamento).
O primeiro passo para melhor otimização de recursos é estar em uma cloud -serviço onde todo o processamento acontece na nuvem- pois ele vai proporcionar três fatores essenciais para o seu sucesso: escalabilidade, segurança e redundância. Entre principais serviços disponíveis hoje no mercado estão: Google Cloud, AWS da Amazon e o Azure da Microsoft.
Escalabilidade é o ponto central desse processo de preparação. É importante destacar que quando falamos em escalabilidade, ela deve ser horizontal e não vertical – apesar de que, em algumas ocasiões, será preciso realizar as duas formas. Ao escalar verticalmente, isso significa que irá aumentar a memória RAM e CPU de uma máquina apenas, o que possui um limite. Já no escalonamento horizontal, você irá aumentar a quantidade de máquinas e isso é potencialmente infinito – além de que quatro máquinas com 2 GB de RAM, na maioria das vezes, terão um desempenho melhor que apenas uma com 8 GB de RAM.
O truque para uma melhor otimização de recursos no escalonamento é configurar corretamente o autoscaling, que é basicamente quando você automatiza, por meio de gatilhos de monitoramento da CPU, rede, Memória RAM e etc, o número de máquinas que deverão ser utilizadas em caso de aumento ou queda de acessos. Por exemplo, se a CPU estiver utilizando mais de 40% da sua capacidade por 3 minutos; subir mais 2 máquinas ou diminuir uma máquina caso a CPU esteja utilizando menos que 5% da sua capacidade por mais de 10 minutos.
Como já falamos, a Black Friday é um evento muito atípico, por isso, não fique preso a esse sistema, confiando 100% que ele dará conta de tudo no dia. Quando estiver próximo ao horário de pico, na quinta à noite, já suba manualmente um número maior de máquinas. Já em momentos mais tranquilos, sem abrir mão do superdimensionamento, vale a pena reduzir as máquinas para economizar alguns dólares.
Outro ponto que faz toda a diferença para minimizar os gastos com o aumento da infraestrutura para a Black Friday – e durante todo o ano – é ter um bom controle de cache. Uma das operações mais pesadas em TI é a consulta de informações no servidor. Bancos de dados tradicionais guardam essas informações no disco, que possui um tempo de resposta muito alto. O cache consegue resolver esse problema, tendo um tempo de resposta muito melhor. Enquanto um SSD entrega velocidades acima de 500 MB/s, na memória RAM esse número sobe para 15.000 MB/s.
Legal, aliviei o banco de dados, mas agora meu servidor de cache pode cair. Então, o próximo passo é subir um cluster de cache que irá redistribuir os acessos entre diversos servidores. E, assim, não irá sobrecarregar apenas uma fonte e fazer seu serviço cair.
Outra dica é utilizar um serviço de CDN. Eu, por exemplo, conto com a ajuda da GoCache, que chega a absorver 70% das requisições que iriam para os nossos servidores, o que diminui a necessidade de subir mais máquinas, economizando alguns dólares no processo.
Configurei tudo, é isso? Não. Sua equipe de TI precisa monitorar os servidores durante todo o Black Friday para identificar gargalos, resolver problemas e dimensionar servidores. Afinal, jogo é jogo, treino é treino!
Para finalizar, independente de ser Black Friday, é preciso realizar a otimização no código, inspecionar páginas que possam não ter cache e revisar a segurança da aplicação contra possíveis ataques (XSS e SQL Injection etc).
Se você fez tudo isso, pode respirar tranquilo, pelo menos até a véspera da Black Friday. Caso não, a boa notícia é que ainda há tempo para resolver tudo e ficar preparado para vender mais na principal data do e-commerce brasileiro.
*Por Leandro Menezes, CTO e um dos sócios do Promobit- plataforma de social commerce que reúne as melhores ofertas a internet.