O mercado de servidores no mundo não vive seu melhor momento, é verdade, especialmente quando se analisa adoção no mundo corporativo. Mesmo a continuidade dos investimentos dos provedores de TI não tem sido suficiente para fazer com que esse segmento traga números animadores na visão de analistas. A própria HP, que lidera o segmento, tem visto suas vendas num estágio regular, com destaque também para os provedores. Ainda assim, a fabricante vê boas possibilidades num futuro próximo, oportunidades essas trazidas pelo acordo IBM-Lenovo, por perspectivas positivas com computação de alto desempenho e por uma renovação de infraestrutura que não deve tardar.
Apenas com a linha de computação de alto desempenho (HPC, da sigla em inglês), a companhia vê oportunidades de ganhos da ordem de US$ 8 bilhões, muito disso pautado por uma atualização do portfólio que rendeu a família Apollo e traz possibilidade de explorar mercados além dos tradicionais compradores desse tipo de produto, como explicou o vice-presidente sênior da unidade de servidores e rede da HP Antonio Neri. “Precisávamos trabalhar para levar supercomputadores para empresas e não deixá-los restritos ao governo e à academia”, comentou, ao falar com jornalistas da América Latina no Customer Experience Center da fabricante, em Houston.
Para o executivo, além de continuar fornecendo para governo e educação, ele quer chegar a setores como finanças. Na verdade, ele acredita que qualquer área que demande muito processamento e análise massiva de dados tem potencial para investir em HPC, surgindo, assim, oportunidades até no varejo, que cada vez mais tem investido em TI seja para conhecer melhor o perfil dos clientes ou garantir mais eficiência operacional
O VP investiu boa parte do seu tempo para ressaltar a necessidade de se investir em infraestrutura para não correr o risco de ficar obsoleto demais diante das possibilidades trazidas por tendências como cloud, big data, mobilidade e social. Lembrou que a TI corporativa está saindo da era de implantação em meses para dias e horas, que o mercado vive uma migração da era dos servidores para a era computacional, da infraestrutura automatizada e tentou passar todo o comprometimento da fabricante com a inovação na área de infraestrutura.
Mesmo assim, não pode deixar passar em branco os desafios que a companhia enfrenta com vendas corporativas, como mencionado no início, à exceção dos provedores de TI que seguem comprando. O ano de 2013 foi mais desafiador com a IDC registrando queda de mais de 4% nos embarques no último trimestre. Nos primeiros três meses deste ano houve uma melhora e Neri ressalta que as próprias consultorias já previam uma recuperação. “Grandes provedores de soluções têm sido os maiores clientes nos trimestres recentes para a área de servidores, enquanto o mercado corporativo segue com baixo desempenho”, reconheceu, sem abrir números recentes.
Questionado, então, sobre como o acordo IBM-Lenovo na área de servidores desafiava a HP, o VP sem grandes rodeios disse acreditar, na verdade, na existência de grandes oportunidades nessa transação. “Nosso portfólio já vinha mais completo, como, por exemplo, (com produtos) para aplicações de missão crítica, além disso, eles não têm toda nossa capacidade de serviços e engenharia. Temos, obviamente, que respeitar o competidor, eles serão muito fortes na China, mas estamos bem posicionados diante dessa oportunidade. O ecossistema de canais também está interessado na HP e não apenas pelos servidores, mas por todo o portfólio. Quando surgiu o negócio da IBM, a HP passou a ser ainda mais considerada.”
Outro negócio que segue importante para a área de servidores da companhia são os servidores Unix, ainda que, como explicou o Neri, exista um movimento de modernização, migrar para uma arquitetura mais nova e moderna requer grandes investimentos, um ciclo que deve ainda levar alguns anos até que se complete.
*O jornalista viajou a Houston a convite da HP