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Telemedicina abre o leque de possibilidades para a saúde do futuro

A telemedicina pode ser a chave para solucionar alguns dos gargalos do sistema de saúde brasileiro

Publicado:
01/04/2019 às 09:50
Leitura
6 minutos

A Telemedicina é o foco do momento no Brasil. No início de fevereiro, a Resolução nº 2.227/18, do Conselho Federal de Medicina (CFM), regulamentou a utilização desta modalidade de atendimento no Brasil. Pouco mais de 20 dias depois, a prática da medicina a distância voltou a ser limitada no Brasil até a redação de um novo texto que será elaborado levando em conta propostas de médicos e entidades que os representam.

Acredito que a telemedicina seja importante para o país e que só temos a ganhar em termos de eficiência e acessibilidade. No Brasil, apesar do número de médicos formados estar aumentando, não há atendimento para todos os habitantes, principalmente quando olhamos para as localidades mais distantes. Em 2018, a Pesquisa Demográfica Médica no Brasil, realizada pela Faculdade de Medicina da USP com apoio do Conselho Federal de Medicina e Conselho Regional de Medicina de São Paulo, atestou que, apesar de existirem 2,18 médicos por mil habitantes, em algumas capitais brasileiras (Vitória, no Espírito Santo, por exemplo) existem 12 médicos por mil habitantes. Por outro lado, no interior do Norte e do Nordeste do país, esse número cai para menos de um médico por mil habitantes. O Sudeste é a região com maior densidade médica (2,81), contra 1,16 no Norte e 1,41 no Nordeste.

Além da falta de profissionais, muitas vezes a qualidade do atendimento e a demora para conseguir uma consulta ou procedimento gera descontentamento da população. É grande a insatisfação: em meados de 2018, uma pesquisa Datafolha/CFM detectou grande desagrado do brasileiro com o sistema de saúde. Dos mais de 2.000 entrevistados, 89% classificaram a saúde (pública ou privada) como péssima, ruim ou regular.

No SUS, por exemplo, o tempo de espera é o fator mais negativo indicado pela população: 82% dos entrevistados reclamam de demora na consulta; 80% contestam o tempo de espera por um exame de imagem e 79% estão insatisfeitos pelo tempo na fila por uma cirurgia. Observe os itens mais negativos no acesso à rede pública: consultas com médicos especialistas (74%), cirurgias (68%), internação em leitos de UTI (64%), exames de imagem (63%), atendimento com profissionais não médicos, como psicólogos, nutricionistas e fisioterapeutas (59%) e procedimentos específicos como diálises, quimioterapia e radioterapia (58%).

A maioria desses problemas podem ser resolvidos com a implementação da telemedicina.

O atendimento online soluciona o fornecimento de cuidados de saúde às regiões inacessíveis e desfavorecidas e visa fornecer acesso igual qualidade de cuidados médicos a diferentes pacientes, independentemente da localização geográfica. Nas últimas duas décadas no mundo, as funções da telemedicina se expandiram significativamente para incluir consultas médicas remotas, serviços de cuidados intensivos, monitoramento da saúde mental, bem como o gerenciamento de doenças crônicas, servindo como um complemento ou uma alternativa às consultas médicas tradicionais. Isso se mostrou particularmente importante para a melhoria da saúde rural, pois a telemedicina preenche efetivamente a lacuna entre os habitantes das áreas rurais e os profissionais médicos localizados nos centros das cidades, proporcionando atendimento especializado, melhorando o acesso, reduzindo as viagens longas e aumentando a qualidade geral do atendimento nestas áreas rurais.

Outra questão importante é o aumento da eficiência. A telemedicina agiliza processos e otimiza tempo. Além de atender às necessidades das localidades mais remotas, o processo colabora com o atendimento nos grandes centros, já que diminui o estrangulamento no sistema de saúde público causado pela grande demanda.

Aliados da telemedicina

Durante a última década, um número crescente de stakeholders que buscam melhorar a prestação de cuidados e os resultados através de soluções de CDS reuniram-se para sintetizar as melhores práticas para melhorar os resultados com o CDS (4). De acordo com a HIMSS, o apoio à decisão clínica é um processo para melhorar decisões e ações relacionadas à saúde com conhecimento clínico organizado e informações do paciente pertinentes para melhorar a saúde e a prestação de cuidados de saúde.

Os destinatários da informação podem incluir pacientes, médicos e outros envolvidos na prestação de cuidados ao paciente, as informações fornecidas podem incluir conhecimentos e orientações clínicas gerais, dados de pacientes processados de forma inteligente ou uma mistura de ambos; e formatos de entrega de informação podem ser tirados de uma rica paleta de opções que inclui facilitadores de entrada de dados e pedidos, exibições de dados filtrados, informações de referência, alertas e outros.

Isto posto, gostaria de destacar a importância das soluções de CDS para o contexto da nova resolução. De acordo com a recém aprovada, que diz que há a necessidade de um profissional de assistência junto ao paciente enquanto o médico realiza a consulta a distância. As soluções de apoio à decisão clínica, radiológica, patológica, abrangem diversas especialidades médicas e cirúrgicas e oferecem evidências que garantem a qualidade da assistência e segurança do paciente.

Dessa forma, tanto o profissional que está realizando a consulta remota, quanto o médico generalista ou enfermeiro que acompanha esta consulta e o paciente têm as informações necessárias na busca do sucesso do tratamento. Esses sistemas podem ser acessados rapidamente, com agilidade e fornecem a informação necessária naquele momento. Se estiverem integrados ao PEP facilitam ainda a rotina de registro do diagnostico e tratamento do paciente, facilitando o fluxo de trabalho.

Também é possível utilizar as plataformas para a educação das equipes remotas. A utilização da tecnologia no treinamento desses profissionais agiliza o estudo e testa a prática por intermédio de simulação de casos. Com isso, evitam-se eventos adversos.

A implantação da Telemedicina nos traz uma gama de possibilidades que certamente vão contribuir para mais um passo da consolidação do e-health no Brasil. Com as ferramentas corretas, todos temos a ganhar!

* Claudia Toledo é diretora de Clinical Solutions da Elsevier Brasil

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