A Dell Technologies foi oficialmente lançada nesta quarta-feira (7/9) e promete trazer bons frutos. De acordo com Luis Gonçalves, presidente da Dell Brasil, a combinação das empresas trará a capacidade de trabalhar “com a liberdade de uma startup, mas com a musculatura de uma grande companhia”, definiu ele, destacando que isso se deve ao fato de que a Dell Technologies é a maior empresa de controle privado no setor de tecnologia.
“Não estamos falando aqui do aspecto econômico-financeiro, mas sim de uma empresa que tem a liberdade de ação que companhias de capital fechado têm. Sem amarras de investidores tampouco obrigações com entrega de relatórios sobre performance a cada 90 dias. [Com isso], podemos focar no longo prazo, porque temos o controle absoluto sobre o nosso futuro”, completa.
Carlos Cunha, presidente da EMC Brasil, também afirma que a operação contará com uma das principais características das empresas: a obsessão pelo cliente. “A razão de ser da empresa é servir e suportar nossos clientes e ser relevantes para eles”, comenta. “E por conta dessa característica, alavancamos outras como agilidade, escalabilidade, inovação, logística, que resulta na capacidade de desenvolver novos produtos, soluções e serviços disruptivos e com baixo custo de propriedade”, completa. Os executivos se apresentaram durante coletiva de imprensa para jornalistas brasileiros, nesta quinta-feira (8/9), em São Paulo. O intuito era exatamente comentar sobre a operação da recém Dell Technologies em território nacional.
Nesse sentido, e adicionado a um mundo de constante transformação, a Dell Technologies continua Cunha, surge para endereçar as principais questões impactadas por esse cenário mutante: pessoas, TI e segurança.
No País, a companhia irá operar com foco em três grandes marcas: Dell, que engloba os produtos voltados para usuário final, como computadores e thin clients; a Dell EMC, que endereça soluções com foco no mercado empresarial, seja empresas de pequeno, médio ou grande portes, em como serviços de consultoria, implementação e suporte de atendimento ao cliente; e outros negócios que contemplam Pivotal, SecureWorks e VMware.
Gonçalves ressalta, no entanto, que o foco da operação poderá mudar de acordo com o mercado. “Do ponto de vista de segmento, os três irão coexistir aqui no Brasil, que é um dos mercados mais importantes para a Dell Technologies. Em outros locais do mundo, uma marca pode estar ‘hospedada’ debaixo de outra, porque talvez não tenha escala e estrutura para suportar os três segmentos”, explica. Na América Latina, outro país que atuará de forma semelhante ao Brasil é o México.
Os executivos completam que o mercado nacional é especialmente estratégico para a empresa. A parte de fabricação de ambas as companhias continuará a todo vapor, bem como investimentos na área de pesquisa e desenvolvimento – para o próximo ano, a previsão nesse sentido é de US$ 4,5 bilhões. “A Dell Technologies continuará fortemente investindo em inovação, porque sem ela não vamos conseguir responder à necessidade do cliente”, afirma Cunha.
A Dell possui centro de desenvolvimento no Rio Grande do Sul, em parceria com a Pontifícia Universidade Católica (PUCRS) e a EMC também possui centro no Rio de Janeiro – ambos serão mantidos.
Um único item ainda não está claro, no entanto: como ficará a liderança na empresa no Brasil que, no momento, durante a transição, está sendo compartilhada por Gonçalves e Cunha. Mas, mais do que dar nomes aos cargos, o foco agora, ressalta o presidente da EMC, é reter talentos. “Não é a redução de custo, mas incremento da receita e, para isso, são necessários talentos. Acredito que o grande trabalho agora será quais talentos irei colocar em qual posição”, diz Cunha. “A agenda principal para o Brasil é, de fato, executar o go to market”, completa Gonçalves.
Isso também vale para cortes na empresa. Não está claro se haverá alguma demissão, mas a ideia parece ser a de reposicionamento de colaboradores. “O que posso dizer é que temos vagas abertas”, ressalta o executivo.
Casamento perfeito
A compra da EMC pela Dell foi anunciada em meados de outubro passado. O valor da compra foi de US$ 67 bilhões e rendeu à nova empresa desde o início o título de “a maior transação até agora na história da indústria de TI”, resultando em uma companhia de faturamento no valor de US$ 74 bilhões.
Como anteriormente afirmado pelo CEO global da empresa, Michael Dell, Pivotal, SecureWorks, RSA e VMware continuarão a operar de forma independente, mas alinhadas estrategicamente com a visão global da Dell Technologies. “Há uma combinação de forças e, ao mesmo tempo, a independência”, comenta Gonçalves, complementando que as empresas podem, inclusive, desenvolver parcerias de negócios com concorrentes, mas “associadas às demais marcas dessa família de empresas podem entregar valor superior ao cliente, na medida que acreditamos que elas funcionarão melhor em conjunto”, completa.
Os executivos apostam em uma transição serena. Fábio Costa, presidente da VMware para o Brasil, chegou, inclusive, a afirmar, em entrevista ao IT Forum 365 no início do mês, que acredita em uma integração tranquila para o País, pelo fato de a Dell já ser parceira de longa data.
Para canais, a transição também deve ser equilibrada. As operações com parceiros permanecerão distintas até fevereiro de 2017, quando inicia o novo ano fiscal da Dell. A partir daí, explica Gonçalves, será montado um programa para parceiros que integrará o melhor dos dois mundos. “Queremos pegar o melhor que temos no programa da Dell e unir ao melhor do que temos no programa da EMC”, afirma. Também nessa mesma data, a EMC começa a operar sob o calendário da Dell.