Nos últimos 20 anos, ferramentas de design e colaboração digitais alteraram a forma como empresas abordam a inovação. Na era pré-digital, desenvolvimento de produtos e de serviços foi feito apenas por peritos que trabalham em empresas ou por meio de fornecedores especializados contratados por essas companhias. Hoje, o processo é auxiliado por ferramentas de design e fabricação digital, além de redes sociais e ferramentas de colaboração.
A boa notícia é que esse novo cenário cria um ambiente rico em oportunidade para empresas inovarem. A má notícia é que essas oportunidades também criar alguns desafios. Agora, profissionais precisam de uma estrutura para navegar nesse novo contexto e aproveitar o poder dessas novas ferramentas.
Para ajudar companhias a tirarem proveito de oportunidades e desafios, os acadêmicos Tucker J. Marion, da Northeastern’s D’Amore-McKim School of Business, e Sebastian K. Fixson, da Babson College, listaram quatro modos da inovação. Confira a seguir:
1. Modo especialista
No modo especialista, empresas vão criar produtos e serviços, focando no desempenho do produto, com melhorias permitidas pelo design digital. Nesse modo, de alto risco, projetos de alta recompensa são tipicamente desenvolvidos e comercializados por organizações formais, usando hierarquia (in-house) ou mercados (terceirizada). Empresas como Volkswagen, Boeing, IBM e Apple são adeptos desse modelo.
Um de seus desafios é que empresas devem construir essas capacidades técnicas in-house para evitar cópias de concorrentes; atrair e reter melhores talentos; e manter o rigor do processo. O esforço da Tesla, por exemplo, para desenvolver sua bateria Gigafactory é um exemplo de desenvolvimento de capacidades internas para garantir vantagem competitiva.
2. Modo venture
O modo venture expande flexibilidade e rapidez. Ele pode ser executado por indivíduos nas corporações, mas também por empresários, pensadores, que tendem a reunir recursos necessários usando serviços intermediários que fornecem acesso a ferramentas e habilidades especializadas.
Avanços nas ferramentas de design digital reduziram drasticamente as barreiras de entrada e permitiram que mais pessoas participem desse modo, que permite que equipes pequenas desenvolvam ideias de produtos e serviços e as testem com baixo custo.
O desafio aqui é identificar rapidamente, selecionar e reunir recursos necessários. Mercados se movem rapidamente e a capacidade de proteger o negócio por meio de propriedade intelectual é muitas vezes limitada, de modo que a mais poderosa vantagem competitiva é a alta velocidade.
3. Modo comunidade
Esse modo atrai um grande número de novos operadores devido às baixas barreiras de entrada e inclui uma forma de organização baseada na confiança.
Similar à inovação aberta, a fixação de limites organizacionais e de tomada de decisões torna-se difusa. Oportunidades para empresas que operam nesse modo são novas formas de desenvolvimento do mercado e envolvimento dos usuários.
Operar nesse modo significa entender os desafios de manter, incentivar, e capturar contribuições de valor agregado dessas comunidades.
4. Modo de rede
É caracterizada pelo elevado desempenho de design do produto visto em empresas especializadas. A oportunidade nesse modo reside na oportunidade de construir um sistema de inovação no qual o todo é mais do que a soma de suas partes.
Reunindo a participação de uma ampla gama de disciplinas e regiões, apoiadas e possibilitadas por ferramentas digitais avançadas, permite o surgimento de soluções totalmente novas. Reorganizar as fronteiras organizacionais e de novas estruturas de incentivo são parte dessa oportunidade.
Os desafios residem em como desenvolver e gerir com sucesso os processos, o que exige maior coordenação devido aos maiores níveis de complexidade.