Universidade da Carolina do Sul identificou que aparelhos transmitem informações que podem ser usadas para saber quantas pessoas estão em uma casa.
Pesquisadores da Universidade da Carolina do Sul descobriram que alguns tipos de medidores inteligentes de energia elétrica transmitem informação que, com o software certo, podem permitir que bisbilhoteiros identifiquem se o morador está em casa. As informações foram divulgadas em um relatório.
Os medidores, chamados de AMR (leitura automática de medidores), são aparelhos inteligentes que estão em fase de instalação no Brasil e já estão presente em um terço dos lares norte-americanos. Eles facilitam a leitura de consumo de energia.
Enquanto muitos dos medidores AMR de gás e de água “escutam” continuamente um sinal de consulta a partir de um terminal de leitura do medidor e apenas transmitem uma leitura quando solicitado, os pesquisadores descobriram pelo menos um tipo de medidor de energia elétrica que trabalha com o princípio oposto. Ele envia continuamente um medidor de leitura a cada 30 segundos.
Diante desse quadro, a Universidade da Carolina do Sul resolveu avaliar a privacidade e a segurança dos medidores inteligentes, diz Wenyuan Xu, professora-assistente da Universidade da Carolina do Sul. Para isso, os pesquisadores usaram um software, um amplificador, e um freeware GNU Radio, mais o conhecimento da equipe sobre protocolos sem fio e processamento de dados.
O primeiro trabalho foi capturar os dados. Com apenas alguns dias, Wenyuan e sua equipe desconstruíram o protocolo proprietário dos medidores usando uma documentação que foi encontrada na internet e informações livremente divulgadas por fabricantes de equipamentos. “Uma vez que tivemos acesso ao sinal bruto, processamos e realizamos a engenharia reversa”, afirma.
Usando uma antena e um amplificador, os pesquisadores foram capazes de capturar pacotes de medidores de eletricidade a uma distância de até 300 metros. No bairro onde eles testaram, eles foram capazes de receber pacotes a partir de 106 metros.
Os dados enviados estavam em formato de texto simples e levou à identificação do medidor. O nome do proprietário da casa ou o endereço não estavam incluídos, mas qualquer um poderia rapidamente descobrir a fonte.
Nos testes, a equipe da Universidade descobriu que era capaz de puxar os pacotes de dados a cada dois ou dez minutos. Isso é o suficiente para identificar o consumo médio de energia de uma residência e deduzir se há alguém em casa. “Os medidores inteligentes devem ser criptografados”, alerta Wenyuan.
A boa notícia é que a nova geração de medidores é baseada em uma tecnologia mais avançada chamada de AMI (infraestrutura avançada de medição), que devem empregar criptografia.
“Se fabricantes de medidores inteligentes ou dispositivos secundários decidirem incorporar a tecnologia sem fio para transmitir informações sobre o uso de energia, os dados devem ser transmitidos com segurança e garantirem a privacidade dos usuários”, ensina o relatório.