R$ 18 bilhões é a previsão de faturamento global da Tata Consultancy Services (TCS) no ano fiscal que se encerra nesta sexta-feira (31/03). O valor representa um avanço em relação aos R$ 16,5 bilhões registrados no ano anterior, números que impulsionam a empresa especializada em serviços de TI a se posicionar como uma das principais do setor globalmente.
Além da Índia, seu país de origem, a companhia tem forte presença nos EUA, Europa e Ásia. A América Latina, no entanto, representa apenas 5% dos negócios globais, sendo México o principal mercado. O Brasil, que vem na sequência, está sendo visto com bons olhos pela companhia e é o principal foco para a região. “O Brasil será o motor da região nos próximos anos”, crava Marcelo Wurmann, CEO da companhia na América Latina.
A TCS está no País há 15 anos e, segundo Tushar Parikh, líder da empresa no Brasil, os principais clientes são da indústria financeira, incluindo os três principais bancos. Ainda, o executivo, sem citar nomes de companhias, afirma ter como clientes as três principais empresas do setor de manufatura, além do top 3 de óleo e gás.
“Não trabalhamos apenas com projetos, mas sim com parcerias no longo prazo. Temos visto crescimento na direção certa”, afirma o executivo, durante entrevista antes do início do “Ser Digital”, evento mundial da companhia que pela primeira vez foi realizado na região. Outras edições ocorrem em Nova York (EUA), Londres (Inglaterra), Sidney (Austrália) e Tóquio (Japão), para reunir executivos, empresários, investidores e especialistas para discutir a inovação na prática.
O evento realizado na última quinta-feira, em São Paulo (SP), aliás, é parte da estratégia da companhia de se aproximar do mercado brasileiro. “A proposta é reunir a TCS e parceiros. É um evento curto, de um dia, para um grupo pequeno de 200 pessoas, para aprender e engaja”, conta K Ananth Krishnan, CTO global da TCS, que lembra também que não se trata de um evento de vendas, mas sim de conhecimento e compartilhamento de ideias sobre inovação.
Inovação de fora para dentro
A empresa traçou dois principais investimentos para avançar no País: talentos e parcerias. O segundo quesito já tem uma estratégia global desenhada, que está sendo “importada” para o Brasil: trata-se do programa Coin (Co-Innovation Network), que tem dois pilares para trazer inovações: startups e universidades.
“Temos uma base de dados com mais de 2 mil startups no mundo todo. Não investimos dinheiro na startup, investimentos em capital intelectual. Entendemos o que fazem e como têm sucesso no mercado”, explica Krishnan, que cita um exemplo. “Pense em uma startup com uma solução de segurança para bancos. Nós trabalhamos com os principais bancos e temos especialistas que entendem do setor e podemos testar a ideia no mundo real. Se funcionar, você tem mercado e fazemos a conexão. Com essas relações, conseguimos trazer muito valor”.
Outra possibilidade com startups é fazer parcerias com clientes que estejam criando ecossistemas internos com startups. Ainda, a TCS busca aproximação com universidades, para incluir ideias de estudantes – uma delas foi realizada no ano passado com a Faculdade de Tecnologia de São Paulo (Fatec). Hackathons também estão nos planos.
Em linha com a estratégia do Coin, Krishnan acredita que, atualmente, ideias podem vir de qualquer lugar: de dentro da empresa, de universidades, startups, fora da sua indústria ou de fornecedores, como a TCS. “O foco é juntar o ecossistema de inovação. Há 50 anos uma empresa poderia fazer P&D sozinha e ter sucesso no mercado. Hoje, com as novas tecnologias e diversos outros fatores, ideias podem vir de qualquer lugar. Temos um enorme investimento em pesquisa & inovação (1,5% do nosso faturamento é investido), mas não é suficiente. Tenho que pegar ideias de fora: do Vale do Silício, Israel, India e esperamos que do Brasil também no futuro”, completa.