Consumidores conectados em mercados emergentes continuam a impulsionar o crescimento das vendas de smartphones no segundo trimestre de 2016, de acordo com levantamento realizado pela GfK.
A previsão é de que a receita do mercado chegue a US$ 426 bilhões – aumento de 5% em comparação com o último ano. E com nenhum impacto imediato no Reino Unido causado pelo Brexit.
De acordo com Kevin Walsh, diretor de tendências e previsões da GfK, o crescimento provenientes de mercados emergentes é especialmente impulsionado por uma China ressurgente e também das emergentes Ásia e África. “Temos de olhar além das vendas em grandes cidades e dos embarques das fabricantes globais para revelar esse forte crescimento, porque são consumidores em áreas rurais que estão impulsionando a demanda”, observa. “Com a China sendo parte importante da tendência, não há surpresa no fato de que os vendedores locais são os que mais se beneficiam”, completa.
Por região
Na América do Norte, consumidores estão retardando o upgrade para o quarto trimestre. Nessa região, a demanda por smartphones totalizou 42 milhões de unidades no segundo trimestre de 2016 – redução de 5% em relação ao trimestre anterior e de 6% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Os geradores de demanda anteriores, tais como migração de telefone básico (feature phone) para smartphones, e do 3G para o 4G, estão exercendo impacto menor agora que a fase de grande crescimento acabou. Além disso, as taxas de rotatividade caíram em resposta às estratégias de retenção das operadoras, incluindo planos familiares.
O mercado terá de esperar até o 4º trimestre para o próximo impulsionador incremental de crescimento. É no quarto trimestre do ano que os principais lançamentos de produtos devem ter um impacto maior, em comparação com 2015. Os consumidores que esperam por grandes lançamentos estarão prontos para investir em upgrades.
Na Europa Ocidental, o Brexit não exerce influência. A demanda por smartphones totalizou 30 milhões no segundo trimestre de 2016, uma redução de 1% em relação ao trimestre anterior e também de 1% em relação ao mesmo período do ano passado.
A queda foi sentida mais na Espanha, onde a demanda declinou 11% em relação ao mesmo período do ano anterior, em resposta ao fato de as três principais operadoras do país terem aumentado suas tarifas anuais em uma média de 30 euros. No Reino Unido, a demanda caiu 2% no segundo trimestre, em relação ao mesmo período do ano passado, mostrando que a votação de junho para deixar a União Europeia não exerceu impacto imediato no mercado. As quedas nesses dois países foram parcialmente compensadas pelo crescimento de 3% na França e 1% na Alemanha.
Já a demanda por smartphones na América Latina atingiu 23 milhões de unidades no segundo trimestre de 2016 – crescimento de 5% em relação ao trimestre anterior, mas com queda de 8% em relação ao mesmo período do ano passado. Esse declínio regional se deve à queda da demanda em 20% no Brasil, em relação ao ano anterior.
O crescimento na Argentina permaneceu alto, em 58%, em relação ao ano anterior, favorecido pela eliminação de restrições à importação em dezembro do ano passado. A GfK prevê que a demanda na região irá declinar para 94 milhões de unidades em 2016, uma queda de 11% em relação ao ano anterior.
Oriente Médio e África: a Arábia Saudita deprime o crescimento regional
A demanda por smartphones na região atingiu 41 milhões de unidades no 2o trimestre de 2016, uma queda de 2% sobre o trimestre anterior e de 5% em relação ao mesmo período do ano passado. Na Arábia Saudita, a fragilidade macroeconômica em curso fez com que a demanda caísse 24% no 2o trimestre, em relação ao mesmo período do ano passado. Essa queda neutralizou o crescimento de 19% no Egito e 15% na África do Sul, em relação ao mesmo período do ano anterior. A GfK prevê que a demanda por smartphones na região vai crescer para 176 milhões de unidades em 2016, um aumento de 9% em relação ao ano passado.
China: vendas em áreas rurais impulsionaram o maior crescimento nos últimos dois anos
A demanda por smartphones totalizou 109,7 milhões no 2o trimestre de 2016, no mesmo nível do trimestre anterior, mas com um crescimento de 24% em relação ao mesmo período do ano passado. Esse crescimento superou o do 1o trimestre de 2016, que foi de 19% em relação ao mesmo período do ano passado, e foi o mais alto nos últimos dois anos. O forte crescimento foi impulsionado principalmente pelos subsídios contínuos da operadora (que começaram no início de 2016), o que ajudou a promover a forte adoção de smartphones 4G em pequenas cidades. Marcas locais se beneficiaram do crescimento fora das grandes cidades, com a participação do mercado de smartphone do país crescendo de 74% no 2o trimestre de 2015 para 81% no 2o trimestre de 2016.
A mudança para telas de maior tamanho continuou, com a participação dos smartphones com mais de 5 polegadas crescendo 83% no trimestre, um crescimento impressionante em comparação com os 63% no 2o trimestre de 2015. A GfK prevê que o crescimento da demanda por smartphones na China irá ser moderado no segundo semestre do ano, devendo atingir 439 milhões de unidades em 2016, um aumento de 14% em relação ao ano passado.
Região da APAC* desenvolvida: demanda na Austrália declina em relação ao mesmo período do ano passado.
Foram vendidas 17 milhões de unidades no 2o trimestre de 2016, uma queda de 12% em relação ao trimestre anterior e 1% em relação ao mesmo período do ano passado. A demanda caiu 9% na Austrália, em relação ao mesmo período do ano passado, mas cresceu 2% no Japão, no mesmo período. A GfK prevê que a demanda na região irá totalizar 72 milhões de unidades em 2016, com uma queda de 1% em relação ao ano passado.
Região da APAC* emergente: Filipinas e Vietnã contabilizam fortes vendas de unidades
Forte crescimento nas Filipinas (37% em relação ao mesmo período do ano passado) e no Vietnã (11% em relação ao mesmo período do ano passado) ajudou a região a aumentar a demanda geral em 3% em relação ao trimestre anterior e 4% em relação ao mesmo período do ano passado, atingindo 51 milhões de unidades. A Indonésia sofreu um pequeno declínio de 0,3%. A GfK prevê que a demanda na região irá atingir 213 milhões de unidades em 2016, um crescimento de 5% em relação ao ano passado.
Smartphones: vendas em 2015 versus previsões para 2016